Brilhetes de Anchieta se preparam para o carnaval com homenagem a Conceição Evaristo

O segredo mais bem guardado do grupo Brilhetes de Anchieta está prestes a ser revelado. Em menos de uma semana, a turma de bate-bolas, composta por 38 meninas e mulheres, desfilará na sexta-feira (13) com suas fantasias cuidadosamente preparadas ao longo de seis meses. Os bate-bolas são conhecidos por suas fantasias temáticas e coloridas, e o grupo é uma das principais expressões artísticas do carnaval no subúrbio do Rio de Janeiro.

A tradição será atualizada quando o portão do quartel-general das Brilhetes se abrir ao som de fogos e funk, revelando a fantasia do 13º ano. O grupo, que inclui integrantes de 3 a 58 anos com diversas ocupações, foi fundado por Vanessa Amorim em 2013. Vanessa, que antes desfilava na Turma do Brilho, decidiu criar um espaço para as mulheres se destacarem no carnaval.

O grupo não apenas promove laços entre as participantes, mas também se tornou uma segunda família para muitas, como Alexandra Cunha, que descreve a emoção de preparar e vestir as fantasias. Ana Júlia Guimarães, de 17 anos, desfilará pela primeira vez com sua mãe, destacando a experiência única de participar do processo criativo.

Este ano, as Brilhetes homenageiam a escritora Conceição Evaristo, que completa 80 anos, com frases inspiradoras estampadas em suas camisetas. Vanessa Amorim destaca a importância de celebrar Conceição em vida, reconhecendo sua trajetória como mulher negra e artista.

As fantasias, que incluem detalhes como luzes de LED e pinturas especiais, são cuidadosamente preparadas no quintal de Vanessa, o quartel-general das Brilhetes. O grupo financia as fantasias através de pagamentos mensais, e este ano o aroma escolhido para a essência das fantasias é de morango.

Apesar de serem reconhecidos como Patrimônio Cultural desde 2012, os bate-bolas enfrentam desafios como a falta de apoio financeiro adequado. A professora Caroline Bottino destaca a importância cultural dos bate-bolas no subúrbio, ressaltando a resistência de seus integrantes.

Este ano, os bate-bolas solicitaram à prefeitura a possibilidade de inscrições remotas para o concurso anual de fantasias, mas ainda enfrentam dificuldades logísticas. Vanessa Amorim expressa o desejo de participar e obter reconhecimento pela qualidade das fantasias produzidas pelo grupo.

A Riotur não forneceu informações atualizadas sobre a competição e não comentou as críticas até o fechamento desta reportagem.

Fonte: Agência Brasil

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