As buscas por Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, na zona rural de Bacabal, no Maranhão, entraram nesta quarta-feira no 11º dia sem interrupções, mobilizando cerca de 500 pessoas em uma área desafiadora de 54 km² de mata fechada, com terreno irregular, poucas trilhas, açudes, o Rio Mearim e lagos.
As crianças desapareceram no dia 4 de janeiro, após saírem para brincar no Quilombo de São Sebastião dos Pretos, a cerca de 250 km de São Luís. Uma terceira criança, Anderson Kauan, de 8 anos, que estava com elas, foi encontrada no dia 7 de janeiro por carroceiros no povoado Santa Rosa, vizinho ao local do sumiço. Ao ser resgatado, o menino estava debilitado, sem roupas e desorientado, a cerca de 4 km da casa da família. Exames atestaram que ele não sofreu abuso sexual. Aos profissionais do Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA), Anderson relatou ter deixado Ágatha e Allan no local enquanto buscava ajuda.
A operação de resgate ganhou reforços desde o início, com equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA), Polícia Civil, Polícia Militar, Guarda Municipal, Exército, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), quilombolas e centenas de voluntários cadastrados, que recebem pulseiras de identificação. No final da manhã desta quarta-feira, mergulhadores do CBMMA iniciaram a varredura no Lago Limpo, por onde as crianças teriam passado. As buscas ocorrem 24 horas por dia, com ações terrestres, aéreas, em rios e lagos, e agora utilizam um aplicativo de geolocalização para mapear as rotas das equipes e ampliar a cobertura metódica, incluindo áreas de difícil acesso.
A Polícia Civil do Maranhão investiga o caso, com o IPCA – ligado à Secretaria de Segurança Pública – em Bacabal desde o dia 11 de janeiro. A equipe multidisciplinar, com psicólogos e assistentes sociais, já ouviu Anderson e familiares, realizando perícias psicológicas e sociais. O Corpo de Bombeiros reforçou em nota nas redes sociais que as equipes seguem mobilizadas sem pausas.
A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) manifestou solidariedade às famílias e à comunidade, acompanhando o caso com preocupação e esperança. “A Conaq se une à torcida coletiva, às orações para que as crianças sejam localizadas o mais rápido possível assim como Anderson Kauan, uma das crianças que também estava desaparecida e foi encontrada por produtores rurais na zona rural do município”, diz a nota da entidade. A Conaq reafirma o compromisso com as famílias e defende que o Estado garanta segurança às crianças nos territórios quilombolas.
Até o momento, apesar dos esforços intensos, incluindo helicópteros, drones e cães farejadores nos dias iniciais, não há vestígios confirmados de Ágatha e Allan.
