Campanha busca valorizar cultura negra e combater racismo no carnaval

O Ministério da Igualdade Racial lançou na segunda-feira, 12 de janeiro, no Rio de Janeiro, a campanha “Sem racismo o carnaval brilha mais”, com o objetivo de valorizar a contribuição da cultura negra para a folia e combater discriminações e violências. A iniciativa distribui adesivos e leques educativos que alertam sobre injúria racial em ofensas baseadas na cor de pele e reprovam fantasias estereotipadas, como a de “nega maluca” ou representações depreciativas de indígenas, religiões afro e personagens negros.

O secretário de Combate ao Racismo do ministério, Tiago Santana, enfatizou que “não cabem mais fantasias depreciativas sobre a cultura negra, religiões afro, personagens negros, muito menos mulheres negras. Isso não dá mais”. Ele acrescentou que esse tipo de carnaval não é o que o brasileiro quer e que a ação visa enfrentar agressões diretas, injúrias e o uso de temas e estéticas negras, como o cabelo, como peça de chacota. Santana destacou ainda o combate ao embranquecimento e ao apagamento da presença negra no carnaval, lembrando que pessoas negras fundaram as primeiras escolas de samba. Nos últimos anos, o predomínio de jurados brancos nos desfiles cariocas tem alimentado debates sobre essa questão.

A campanha, que circulou em mídias digitais em 2025, será ampliada em 2026 para o carnaval de rua, bailes, blocos, desfiles de escolas de samba e a Sapucaí, no Rio de Janeiro. Ações também estão previstas na Bahia e nos 30 municípios do Programa Juventude Negra Viva. O material educativo será distribuído a partir do próximo sábado, 17 de janeiro, até os últimos dias da festa, incentivando vítimas a denunciarem por meio do Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, ou da Ouvidoria do MIR, pelo e-mail ouvidoria@igualdaderacial.gov.br. Esses canais oferecem suporte para formalizar queixas em delegacias.

No Rio, o diferencial é a parceria com a Liga RJ, que organiza os desfiles do grupo de acesso, Série Ouro. A entidade distribuirá os materiais em ensaios técnicos e apresentações na Sapucaí. No dia 13 de fevereiro, início da competição, o ministério desfilará com uma faixa, ao lado de ativistas, lideranças e representantes das escolas, sinalizando que atos racistas serão monitorados e punidos. “Sinalizaremos para aqueles eventuais racistas que eles não são invisíveis e que faremos pressão para que prestem contas”, afirmou Santana.

A ministra Anielle Franco reforçou, em nota, que o carnaval é momento de diversão, mas também de respeito. “Lançamos essa campanha para cuidar e respeitar as mãos negras de quem faz acontecer e também se diverte no maior espetáculo da terra. O carnaval é cultura, arte, resistência e resiliência”, declarou. A pasta espera que outras instituições adotem o material, circulando-o em eventos, mídia e redes sociais para ampliar o alcance da mensagem. Denunciar e punir discriminações, segundo Santana, é pilar da Política Nacional de Igualdade Racial.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)