Neste domingo, o Rio de Janeiro dá o pontapé inicial ao Carnaval Não Oficial de 2026, com mais de 70 blocos espalhados pelo Centro e bairros das zonas Sul e Norte, reunindo cariocas e turistas em uma explosão de samba, confete e fantasias que marca a abertura simbólica da temporada de pré-carnaval.
A folia começa cedo, a partir das 8h, com blocos parados e cortejos invadindo praças, ruas históricas e espaços culturais do Centro. Ao longo do dia, a programação se estende até o fim da tarde, culminando no tradicional Cordão do Boi Tolo, que conduz um grande cortejo coletivo reunindo dezenas de blocos em um trajeto do Centro pelo Aterro do Flamengo, Botafogo e Copacabana.
Para Luís Otávio Almeida, integrante do Boi Tolo e representante da Desliga dos Blocos, o termo “não oficial” representa mais resistência do que um simples rótulo. “A definição de Carnaval Não Oficial só existe porque, desde 2009, há uma tentativa da prefeitura de oficializar o carnaval. O que hoje chamamos de não oficial pode ser chamado apenas de Carnaval, como foi por mais de dois séculos na cidade”, afirma ele. Segundo Almeida, um decreto passou a exigir burocracia prévia, com seis meses de antecedência, criando uma divisão artificial entre blocos, independentemente de seu tamanho ou caráter.
Diferentemente das ligas tradicionais, a Desliga dos Blocos se define como um movimento. “A Desliga não é uma liga. Não organizamos os blocos. Eles participam da Abertura por livre adesão. O máximo que fazemos é alinhar a programação de acordo com a intenção de cada coletivo”, explica. A programação completa está nas redes sociais da Desliga e dos blocos, com eventos, ensaios e cortejos ao longo do pré-carnaval. “O melhor caminho é acompanhar o Instagram dos blocos e das páginas que divulgam a folia”, orienta Almeida.
Incorporado ao cotidiano da cidade, o carnaval de rua movimenta a economia, impulsiona o turismo e redefine a dinâmica urbana. Para Almeida, o papel do poder público deveria ser garantir infraestrutura básica, como segurança, limpeza e trânsito, sem interferir na essência da festa. “O carnaval gera renda consistente para a cidade. A atuação do poder público deve ser discreta, sem interferir na maior festa popular do planeta”, diz. Ele também destaca a ocupação cultural do Centro, essencial após a saída de empresas: “Era fundamental que esse chão histórico recebesse moradores. Falamos disso em manifestos e começamos a ver os primeiros frutos.”
Neste ano, a abertura reserva espaço para as crianças com a Aberturinha, no Aterro do Flamengo, oferecendo brincadeiras populares, oficinas e shows infantis.
Entre os blocos parados, destacam-se às 8h o Love Songs na Praça Marechal Âncora; 9h, O Baile Todo no Armazém Utopia e Não Monogamia na Praça Mauá; 10h, Marimbondo Não Respeita no Armazém Utopia, Projeto Girô na Praça Paris e 8&80 no Bar Kamikaze; 11h, Skabloco no Armazém Utopia, RodaBloco no Bar Kamikaze, Bloco dos Inconfidentes na Casa Carnaval Rio, Percussaça na Bargaça do Morro do Pinto e Toques para Odudua na Praça XV; 12h, Te Devoro na Praça da Candelária, Marejada na Casa Carnaval Rio e Calcinhas Bélicas na Praça XV; 13h, Bloco da Insana na Casa Carnaval Rio; 14h, Lambabloco na Casa Carnaval Rio; 15h, Os Biquínis de Ogodô convidam As Sungas de Odara na Praça XV; e 17h, Só Toca Bloco na Praça XV.
Nos blocos com cortejo, saem às 8h o Bloco da Frida na Pira Olímpica e Papagoyaba na Barca Niterói-Rio; 9h, Vem Cá Minha Flor na Praça Marechal Âncora; 10h, Banheira do Gugu na Pira Olímpica; 11h, Bigode do Leôncio no Arco do Teles; 14h, Surdos e Mundos na Rua Dom Manuel; e 17h, o grande cortejo do Cordão do Boi Tolo, com local a confirmar.
Na Aberturinha, das 9h às 10h30, Kidmi Brincante e oficina de perna de pau; 10h30 às 11h, contação de histórias com a Palhaça Claroca; e 11h às 12h, Banda Fanfarrinha, no Aterro do Flamengo, altura do Belmonte.
