A noite dessa terça-feira (3) foi marcada por um momento especial para as mães acolhidas na Casa da Gestante do Hospital da Mulher D. Creuza Pires. Nas areias da Praia de Cabo Branco, ao som de música ao vivo, com ambientação temática, frutas, sucos naturais e água de coco, o luau proporcionou leveza, convivência e acolhimento a mulheres que vivenciam a internação de seus bebês na unidade.
Na ocasião, as mães puderam, por algumas horas, sair da rotina hospitalar e compartilhar uma experiência coletiva marcada pela escuta, troca de vivências e fortalecimento emocional.
A iniciativa integra o calendário permanente de atividades desenvolvidas pela Casa da Gestante, no projeto Terapia de Alegria, que faz parte da política de humanização que compreende o cuidado para além da assistência clínica. Os passeios externos e as ações integradas fazem parte do suporte psicológico coletivo ofertado às mães, contribuindo para a redução do estresse, da ansiedade e do impacto emocional provocado pela internação neonatal.
Ao longo do ano, as mães acolhidas já participaram de visitas ao Parque Zoobotânico Arruda Câmara (Bica), contemplaram o pôr do sol na Praia do Jacaré e vivenciaram diversas atividades de integração e convivência. As ações são planejadas para proporcionar momentos de lazer, fortalecer vínculos e promover bem-estar coletivo, sempre com acompanhamento da equipe multiprofissional.
Estrutura e cuidado integral – Localizada anexa ao hospital, a Casa da Gestante foi criada para oferecer suporte às mães cujos bebês permanecem internados após a alta materna. O espaço dispõe de 18 leitos distribuídos em três quartos tipo suíte, cada um com seis leitos e banheiro próprio, além de copa/cozinha completa, sala de estar, sala de ordenha, sala de reunião e área de serviço equipada.
As mães recebem alimentação balanceada, acompanhamento psicossocial e suporte contínuo da equipe de enfermagem. A estrutura conta ainda com pequena biblioteca e altar ecumênico, respeitando as diferentes manifestações de fé.
Mais do que garantir conforto, a Casa assegura a presença ativa da mãe no processo de tratamento do recém-nascido. Quando possível, é estimulada a amamentação ou a ordenha do leite materno, que é ofertado ao bebê conforme orientação da equipe assistencial. O leite materno, rico em nutrientes e anticorpos, contribui significativamente para a recuperação e o desenvolvimento do recém-nascido.
Ao permitir que a mãe permaneça próxima durante todo o período de internação, o serviço fortalece o vínculo afetivo, favorece o ganho de peso adequado, reduz o tempo de permanência hospitalar e minimiza riscos associados à internação prolongada.
Humanização como política permanente – Para a coordenadora da Casa da Gestante, Heliane Medeiros, ações como o luau reafirmam o compromisso do hospital com o cuidado integral. “Para cuidar dessas mães, seguimos todas as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS) e uma delas é a saúde mental. Esses momentos de leveza são importantes para fortalecer essas mulheres e garantir que elas tenham condições psicológicas de continuar acompanhando o tratamento de seus filhos”.
Lucinere Guedes foi uma das mães participantes da ação. Ela está na casa da gestante do Hospital da Mulher de João Pessoa há três meses acompanhando o tratamento da filha Rayarlla, que nasceu prematura extrema. “Essas ações são muito importantes, dá pra perceber toda dedicação que as profissionais da casa têm com todas as mães. Lá, além de termos a possibilidade de ficar com nossos filhos todo o tempo, temos esses momentos que tiram a gente um pouco da rotina, da preocupação e renovam as forças pra continuar esse processo, que é muito difícil de passar”, finalizou.
Mais do que um evento pontual, o luau simboliza uma política institucional que reconhece que saúde também envolve acolhimento emocional, convivência e construção de redes de apoio. Ao integrar assistência, suporte psicológico e atividades de lazer, o Hospital da Mulher fortalece uma abordagem que coloca a mulher no centro do cuidado.
