Os Estados Unidos apreenderam dois navios-petroleiros na quarta-feira (7 de janeiro) em operações que escalaram significativamente as tensões com Rússia e China sobre a aplicação de sanções contra a Venezuela.
O navio Marinera, também conhecido como Bella 1, foi interceptado no Atlântico Norte após semanas de perseguição pela Guarda Costeira dos EUA. A embarcação havia mudado sua identidade poucos dias antes da apreensão, adotando bandeira russa e um novo nome numa tentativa de escapar às sanções norte-americanas. A secretária nacional de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, afirmou que o petroleiro passou a ser rastreado mesmo após essas mudanças, acusando a embarcação de navegar sob bandeira falsa. Segundo autoridades dos EUA, a Rússia havia enviado um submarino e outros meios navais para escoltar o navio durante seu percurso.
O segundo navio apreendido, identificado como M/T Sophia, foi interceptado no Mar do Caribe. Ambas as embarcações foram detidas em cumprimento a mandados judiciais emitidos por tribunais federais dos EUA por violação de sanções comerciais. As autoridades norte-americanas acusam os navios de fazerem parte da chamada “frota fantasma” que contorna sanções internacionais, transportando petróleo venezuelano para países como Rússia, China e Irã.
A resposta internacional foi imediata. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia classificou a apreensão do Marinera como violação do direito marítimo internacional, invocando a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982, que garante liberdade de navegação em alto-mar. O ministério russo informou que as autoridades perderam o contato com o navio após a abordagem das forças norte-americanas e exigiu que os EUA cessem imediatamente as ações contra a embarcação e garantam tratamento digno aos tripulantes russos.
A China também protestou contra as apreensões. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, declarou que os EUA violaram seriamente o direito internacional ao apoderar-se arbitrariamente das embarcações em alto-mar. Pequim reafirmou sua posição contra sanções unilaterais que não possuem base no direito internacional ou autorização do Conselho de Segurança da ONU, criticando qualquer movimento que infrinja a soberania de outros países.
O Reino Unido forneceu apoio operacional à ação, incluindo uso de bases militares, uma embarcação de guerra e apoio aéreo de vigilância. O secretário de Defesa britânico, John Healey, descreveu o Marinera como tendo um “histórico nefasto” e estar “ligado a redes russas e iranianas de evasão de sanções”.
A operação reflete a intensificação da política de bloqueio aos petroleiros venezuelanos anunciada pelo presidente Donald Trump em dezembro, quando impôs um “bloqueio total” ao transporte de petróleo do país. A Casa Branca determinou que as Forças Armadas dos EUA concentrem esforços quase exclusivamente na aplicação desse bloqueio pelos próximos dois meses. Os Estados Unidos argumentam que as apreensões apoiam o combate a navios que “ameaçam a segurança e a estabilidade do hemisfério ocidental”, enquanto o secretário de Guerra, Pete Hegseth, reafirmou que o bloqueio ao petróleo venezuelano permanece “em pleno efeito em qualquer lugar do mundo”.
