Condomínios no Rio de Janeiro buscam revisão de tarifa mínima de água

Condomínios de prédios residenciais e comerciais no Rio de Janeiro estão em campanha para mudar a forma de cobrança pelo fornecimento de água. Administradores de imóveis relatam que o custo tem aumentado nos últimos anos, chegando a representar quase metade do orçamento mensal dos condôminos.

A mobilização é liderada pela Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (Abadi), que critica a cobrança da chamada conta de consumo mínimo. Esse tipo de cobrança afeta prédios sem hidrômetros individualizados, que recebem uma única conta a ser dividida entre os moradores.

O presidente da Abadi, Marcelo Borges, afirmou à Agência Brasil que a tarifa mínima não reflete a realidade. Ele defende que a cobrança seja baseada no consumo real medido pelo hidrômetro ou, ao menos, em uma tarifa mais próxima do consumo efetivo.

Borges destaca que a cobrança mínima no estado é elevada, com um mínimo de 15 metros cúbicos para prédios residenciais e 20 metros cúbicos para comerciais. Cerca de 70% dos empreendimentos no Rio têm hidrômetro único, conforme estimativa da associação.

A questão ganhou destaque após uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) validar a cobrança mínima. Segundo a Abadi, em muitos casos, a conta de água passou de 7% para 45% do orçamento mensal dos condomínios.

A entidade calcula que a tarifa mínima em um prédio comercial com dez unidades chega a R$ 9,2 mil, valor significativamente maior do que em outros estados, como Minas Gerais e São Paulo. Marcelo Borges também informou que a Abadi é amicus curiae em um julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a cobrança de água.

Ao lado do Secovi Rio, a Abadi solicitou à Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro (Agenersa) uma revisão do modelo de cobrança. A Agenersa informou que o pedido está em análise e que o modelo atual é legítimo conforme o marco legal do saneamento básico e a orientação do STJ.

A Águas do Rio, concessionária que abastece a região central e as zonas norte e sul, afirmou que a tarifa mínima é uma prática de longa data, consolidada pelo STJ em junho de 2023. A Rio+Saneamento e a Iguá Rio, responsáveis pelo abastecimento em outras regiões, também confirmaram que a cobrança está em conformidade com as leis e normas aplicáveis.

Fonte: Agência Brasil

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