A campanha de bombardeios de Israel contra o Líbano, que em um dia resultou na morte de pelo menos 303 pessoas, não está alcançando os objetivos militares desejados contra o grupo Hezbollah. Essa é a avaliação do capitão da reserva da Marinha brasileira, Robinson Farinazzo.
Farinazzo, presidente do Instituto de Altos Estudos de Geopolítica, Segurança e Conflitos, destacou que o Hezbollah camufla bem seus equipamentos, tornando difícil para Israel atingir suas estruturas. Ele acredita que os bombardeios têm como alvo principal a população civil do Líbano.
O governo de Benjamin Netanyahu ameaçou ocupar o Líbano para criar uma ‘zona tampão’ até o Rio Litani, mas Farinazzo considera que Israel teria dificuldade em manter essa posição. Ele destacou que o Exército de Israel enfrenta várias baixas e que a situação poderia se tornar insustentável.
Sheikh Naim Qassem, secretário-geral do Hezbollah, afirmou que os bombardeios são resultado do fracasso de Israel em avançar por terra. O Hezbollah alega ter destruído mais de 100 tanques israelenses desde o início de março.
Israel exige o desarmamento do Hezbollah, enquanto o grupo xiita pede o fim dos bombardeios e a retirada de Israel do Líbano. Um cessar-fogo de duas semanas foi anunciado por Estados Unidos e Irã, mas foi violado, levando a um aumento dos ataques.
Sobre o Estreito de Ormuz, Farinazzo afirmou que a passagem não pode ser reaberta por meios militares convencionais, a menos que se use uma bomba nuclear. Ele destacou que a diplomacia é a solução ‘menos ruim’, pois mesmo a entrada da Otan na guerra não mudaria o cenário atual.
