O ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023 marcou uma nova fase no conflito do Oriente Médio, especialmente em relação aos territórios palestinos. Analistas sugerem que os ataques ao Irã são, de certa forma, uma consequência indireta da guerra na Faixa de Gaza e da colonização da Cisjordânia.
Israel e os Estados Unidos estariam explorando as fragilidades econômicas do Irã, agravadas por sanções ocidentais e por divisões políticas internas, para enfraquecer o apoio de Teerã ao Eixo da Resistência, que inclui grupos como Hezbollah, Hamas e os Huthis do Iêmen.
O professor Bruno Huberman, da PUC-SP, afirmou que as agressões contra o Irã são uma consequência do ataque de 7 de outubro, dado que Teerã é um dos principais opositores das políticas de Washington e Tel-Aviv. Ele destacou que o Irã tem um papel significativo na questão palestina e no apoio a grupos de resistência armada.
Israel tem avançado na colonização e anexação de territórios na Cisjordânia, aprovando novas regras para a compra de terras palestinas por israelenses, o que foi denunciado como uma tentativa de expansão territorial. Em 2025, 40 mil palestinos foram expulsos de suas casas na região.
Rashmi Singh, professora da PUC Minas, argumenta que as ações israelenses em Gaza e na Cisjordânia normalizaram a aplicação seletiva do direito internacional por parte dos países ocidentais. Ela menciona que violações como bombardeios ilegais e ataques em outros países foram ignoradas ou até elogiadas.
Karina Stange Caladrin, do Ibmec SP, aponta que a guerra em Gaza regionalizou a dinâmica de segurança, com Israel tratando o eixo de resistência como um tabuleiro integrado e o Irã como principal patrocinador. A guerra contra o Irã busca desviar a atenção da agenda palestina e cortar o apoio iraniano aos grupos palestinos.
O conflito israel-palestino remonta à criação do Estado de Israel em 1948, quando a Nakba resultou na expulsão de mais de 700 mil palestinos e na destruição de 450 vilas. A causa palestina defende o retorno dos refugiados e a criação do Estado Palestino, algo que Israel rejeita.
