Como acontece há 107 carnavais, foliões vestindo roupas brancas com bolinhas pretas ocuparam as ruas do centro do Rio de Janeiro na manhã deste sábado (14).
É o desfile do Cordão do Bola Preta, que destacou no tema deste ano a própria relevância histórica como bloco mais antigo em atividade no país: Bola Preta, DNA do Carnaval.
O desfile manteve o trajeto tradicional, com concentração na Rua Primeiro de Março e passagem pela Avenida Presidente Antônio Carlos, reunindo cariocas, turistas, famílias, idosos e crianças. Todos embalados pelas marchinhas e o hino oficial Quem não chora, não mama.
A carioca Luana Flor acabou de concluir a graduação em fisioterapia e decidiu comemorar o novo momento dançando e cantando no bloco. “Não tinha lugar melhor para eu curtir a minha formatura. Escolhi o Bola Preta, porque é um bloco tradicional. Ele traz a história do Rio e é sempre muito cheio, tem uma energia muito boa.”
Ninguém estava mais empolgada com a possibilidade de encontrar a Paolla Oliveira do que a foliã Eliane Silva. Vestida com as cores do bloco, ela carregava um cartaz de mais de um metro de altura com um apelo para a atriz tirar uma foto com ela: Paolla, só mais um foto comigo? Prometo parar… (na próxima encarnação).
Poucos minutos antes do início oficial da festa, gritos da multidão anunciaram a chegada da rainha do bloco. “Muito feliz de estar mais um ano aqui com o Bola Preta, que tem essa energia maravilhosa. Existe algo melhor do que essa festa aqui?”, perguntou Paolla à reportagem da Agência Brasil.
À frente do cortejo, a tradicional Corte Real reforçou o brilho do desfile. Além de Paolla, participaram Leandra Leal (porta-estandarte), Neguinho da Beija-Flor (padrinho), Maria Rita (madrinha), Emanuelle Araújo (musa da banda), João Roberto Kelly (embaixador), Tia Surica da Portela (embaixadora) e Selminha Sorriso (musa das musas).
Pelo terceiro ano consecutivo, o bloco mantém a parceria com a Liga Amigos do Zé Pereira, o bloco Vagalume O Verde e o Parque Nacional da Tijuca/ICMBio para a medição das emissões de gases poluentes dos geradores dos trios elétricos. A iniciativa permite a compensação de carbono do desfile.
O Cordão da Bola Preta completou 107 anos no último dia 31 de dezembro. Fundado em 1918, o bloco mantém uma biografia entrelaçada à história do Carnaval brasileiro, especialmente a festa de rua. Nesse período, foi testemunha de guerras, mudanças políticas, períodos de censura e a pandemia de covid-19.
Em julho do ano passado, o Cordão da Bola Preta foi reconhecido como Patrimônio Histórico, Cultural e Imaterial do Estado do Rio de Janeiro.
Na semana passada, a Prefeitura do Rio anunciou que o bloco ganhará um centro cultural em sua sede, na Lapa. As obras terão início no primeiro semestre deste ano e devem durar oito meses. De acordo com o projeto, serão reconstruídos um sobrado, fachadas e esquadrias, além da modernização das instalações. A área total a ser recuperada é de 1,2 mil metros quadrados, com capacidade para receber cerca de 1,2 mil pessoas.
