A União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) e a Defensoria Pública da União (DPU) denunciaram às autoridades federais que um integrante do povo marubo teria sofrido um ‘ato de tortura’ por invasores da terra indígena.
Segundo a Univaja, o incidente ocorreu no dia 3, quando a vítima estava pescando próxima à aldeia Beija-Flor e foi cercada por pescadores ilegais que invadiram a Terra Indígena do Vale do Javari. Os agressores acusaram o indígena de roubo, ameaçando-o de morte, amarrando suas mãos e pés, e amordaçando-o antes de abandoná-lo à deriva em sua canoa, levando sua espingarda e celular.
O indígena foi encontrado cerca de 24 horas depois, exposto a uma situação de grave perigo. A Univaja tomou conhecimento do caso no dia 6 e acionou a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) para deter os suspeitos, que ainda estavam na área.
Apesar de se colocar à disposição para apoiar a logística de uma operação, a PF em Tabatinga informou não ter contingente suficiente. A Univaja criticou a demora das autoridades, alegando que isso prejudicou a coleta de provas e a identificação dos agressores. A entidade também destacou a presença de organizações criminosas armadas na região, onde Bruno Pereira e Dom Phillips foram assassinados em 2022.
A Univaja ressaltou a urgência de atenção especial à região, que abriga comunidades de recente contato e povos em isolamento voluntário. A invasão dessas áreas compromete a segurança e expõe populações vulneráveis a contatos forçados e epidemias.
A Defensoria Pública da União, acionada pela Univaja, pediu ao Ministério da Justiça e Segurança Pública providências urgentes para reforçar a proteção territorial e conter invasões. A DPU solicitou informações sobre operações de fiscalização e a possível mobilização de forças federais para proteger o território indígena.
O Ministério da Justiça informou que está acompanhando o caso em articulação com órgãos federais como a Funai e a PF. A pasta destacou que o local dos fatos está fora da área de atuação da Força Nacional de Segurança Pública, que atua em apoio às atividades de proteção territorial.
