Desemprego recua para 5,8% no trimestre encerrado em abril, aponta IBGE

A demanda por trabalhadores em diversos setores tem sido um fator crucial para a resiliência do mercado de trabalho no Brasil, mantendo a taxa de desemprego em níveis mais baixos, mesmo diante de desafios como as altas taxas de juros. Essa é a avaliação de Adriana Beringuy, coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com os dados da PNAD-Contínua divulgados pelo IBGE, a taxa de desemprego atingiu 5,8% no trimestre encerrado em abril, uma queda de 0,8 pontos percentuais em comparação com o mesmo período de 2025, quando estava em 6,6%. No entanto, houve um aumento de 0,4 pontos percentuais em relação ao período de novembro de 2025 a janeiro de 2026.

Adriana Beringuy destacou que a diversidade na geração de empregos, abrangendo tanto o setor público quanto o privado, contribui para a sustentabilidade do mercado de trabalho. Ela enfatizou que essa diversificação ajuda a amortecer os impactos macroeconômicos, como as taxas de juros.

A pesquisa revelou que o rendimento real habitual dos trabalhadores chegou a R$ 3.732, mantendo-se estável no trimestre e apresentando um crescimento de 5,3% no ano. A massa de rendimento real habitual atingiu R$ 377 bilhões, com estabilidade no trimestre e um aumento de 6,5% no ano.

Mesmo com o aumento nos rendimentos, Adriana Beringuy ressaltou a necessidade de manter um bom nível de ocupação para sustentar o consumo, que se torna mais caro em um cenário de juros elevados. Ela observou que a manutenção do mercado de trabalho é crucial para enfrentar efeitos adversos, como a alta dos juros.

Os resultados da PNAD-Contínua de abril mostraram que o número de empregados no setor privado com carteira assinada atingiu 39,3 milhões, mantendo-se estável em comparação com o trimestre anterior e com o mesmo período de 2025. Os trabalhadores sem carteira somaram 13,3 milhões, também estáveis.

No setor público, o número de empregados foi de 12,9 milhões, com uma expansão de 3,4% no ano. Já os trabalhadores por conta própria totalizaram 26 milhões, com um aumento de 2,3% no ano. Os trabalhadores domésticos ficaram estáveis no trimestre, mas apresentaram uma queda de 4,7% no ano.

A população fora da força de trabalho, atualmente em 66,5 milhões, mostrou estabilidade no trimestre, mas teve um aumento de 1,6% em relação ao ano anterior. A população desalentada, calculada em 2,6 milhões, permaneceu estável no trimestre e teve uma redução de 15,3% no ano.

A PNAD Contínua, principal pesquisa sobre a força de trabalho no Brasil, abrange 211 mil domicílios em 3.500 municípios, com cerca de 2 mil entrevistadores envolvidos na coleta de dados.

Fonte: Agência Brasil

Leia mais