Desfile das campeãs encerra carnaval no Rio de Janeiro com homenagem a Mestre Ciça

Cariocas e turistas que visitam o Rio de Janeiro se despedem do carnaval neste fim de semana com pompa e circunstância. Além de blocos de diversos tamanhos nas ruas e avenidas da cidade, quem for hoje ao sambódromo assistirá, a partir das 21h, ao ‘desfile das campeãs’ do grupo especial.

Pela ordem, se apresentarão as seguintes escolas de samba: Mangueira (6ª colocada), Imperatriz Leopoldinense (5ª), Salgueiro (4ª), Vila Isabel (3ª), Beija-Flor (2ª) e, finalmente, a Unidos do Viradouro, campeã com pontuação máxima em todos os quesitos.

Deverá ser mais uma noite de muita alegria para Moacyr da Silva Pinto, o Mestre Ciça, que comanda a bateria da Viradouro. Ele é o tema do enredo da escola campeã que se reapresenta mais tarde.

O carnaval vencido pela quarta vez pela escola de samba de Niterói inovou desde a escolha do enredo. ‘Prá cima, Ciça’ faz homenagem em vida a um elemento da própria gremiação. O desfile ocorreu na última segunda-feira.

Ciça, conhecido como mestre dos mestres, tem um currículo impressionante. Em julho, completa 70 anos, dos quais 55 foram dedicados ao carnaval, acumulando experiência de passista a ritmista em diferentes escolas.

À frente da ‘Furacão Vermelho e Branco’, como é chamada a bateria da Viradouro, Ciça comanda a parte mais importante de uma escola de samba. ‘Quem faz o andamento, quem imprime ritmo ao enunciado do samba enredo, é a bateria’, explica o sociólogo Rodrigo Reduzino, pesquisador do carnaval carioca.

Para o especialista, a bateria é mais que um órgão vital no desfile. ‘Pode ser que a bateria seja como o coração. Mas também é parte integrante de um corpo, de um sistema como um todo.’ Mestres de bateria, como Ciça, regem os passos do cortejo do corpo que é a escola de samba.

Incorporar ao apito e à batuta discernimento, ciência, sabedoria e conhecimento ‘não acontece de um dia para noite’, salienta o pesquisador. O samba não se ‘aprende no colégio’, como cantava Noel Rosa. Instruções e entendimentos são passados na oralidade, na vivência, na experiência junto aos seus cotidianamente.

Fonte: Agência Brasil

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