A Polícia Civil do Distrito Federal investiga a suspeita de que ex-técnicos de enfermagem de um hospital particular em Taguatinga mataram ao menos três pacientes ao aplicar substâncias letais. Dois suspeitos, um homem e uma mulher, foram detidos no dia 11 de janeiro, durante a deflagração da Operação Anúbis, nome inspirado na divindade egípcia guia das almas dos mortos. Uma terceira mulher, também investigada, foi presa na quinta-feira seguinte, dia 15, quando policiais apreenderam dispositivos eletrônicos e outros elementos que podem ajudar nas apurações.
Os três óbitos ocorreram nos dias 19 de novembro e 1º de dezembro de 2025, no Hospital Anchieta, um dos mais tradicionais do Distrito Federal. As mortes, tratadas como homicídios, só vieram à tona nesta segunda-feira, em coletiva de imprensa comandada pelo delegado Wisllei Salomão. Como o caso tramita em segredo de justiça, os nomes das vítimas e dos investigados não foram divulgados, assim como a motivação dos crimes.
As vítimas foram identificadas como uma professora aposentada de 75 anos, um servidor público de 63 anos e um homem de 33 anos. “Eles foram mortos pela ação de quem deveria estar cuidando deles”, afirmou o delegado. As provas indicam que os técnicos injetaram um medicamento comum em UTIs, mas letal quando aplicado diretamente na veia, causando parada cardíaca. Em um dos casos, o principal suspeito, um técnico de 24 anos também estudante de fisioterapia, usou desinfetante após o medicamento acabar, injetando-o mais de dez vezes em uma paciente.
Investigadores analisaram imagens das câmeras da UTI, prontuários médicos e depoimentos de funcionários. Constatou-se que o técnico aproveitou um sistema logado em nome de médicos para receitar o medicamento indevido, buscá-lo na farmácia, prepará-lo e escondê-lo no jaleco antes de aplicá-lo nas vítimas. As duas técnicas detidas, de 28 e 22 anos, foram coniventes: uma ajudou a buscar a medicação e esteve presente na aplicação. A mais velha já trabalhou em outros hospitais; a mais jovem estava em seu primeiro emprego na área. Após a demissão do Hospital Anchieta, o principal suspeito continuou atuando em uma UTI infantil.
O hospital demitiu os três auxiliares após um comitê interno identificar circunstâncias atípicas nas mortes na UTI. Em nota, a instituição afirmou ter acionado a polícia, compartilhado todas as evidências e se solidarizado com as famílias, colaborando irrestritamente com as autoridades. O delegado Salomão informou que os presos estão em prisão temporária por 30 dias e que as investigações prosseguem para identificar possíveis outros envolvidos, analisar aparelhos apreendidos e verificar mortes semelhantes em hospitais onde os suspeitos atuaram. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios avaliará medidas cabíveis ao receber o procedimento.
