Dia da Consciência Negra no Rio marca incentivo à “economia preta”

No Dia da Consciência Negra, o Monumento a Zumbi dos Palmares, situado no coração da Avenida Presidente Vargas, no centro do Rio de Janeiro, tornou-se palco de uma vibrante celebração que reuniu música, dança e manifestações culturais em homenagem ao líder negro símbolo da resistência à escravidão. O local tradicional da cidade, que perpetua a memória e a luta do povo negro, recebeu centenas de pessoas que participaram de atividades marcadas pela valorização da identidade, cultura e resistência negra. Entre as atrações, destacaram-se os discursos de ativistas e personalidades do movimento negro, e um grande buffet que oferecia pratos da culinária afro-brasileira e africana, evidenciando o conceito de “economia preta” ou “black money” — uma iniciativa que busca fortalecer o ciclo econômico dentro da comunidade negra e promover maior inclusão e emprego para pessoas pretas.

Zumbi dos Palmares, nascido por volta de 1655 na região que hoje corresponde ao estado de Alagoas, foi o líder do Quilombo dos Palmares, uma das maiores comunidades de resistência formada por escravos fugitivos e povos aliados, que desafiou a escravidão colonial por quase um século. Sua morte, em 20 de novembro de 1695, é lembrada como um marco simbólico da luta contra o racismo e a opressão, e a data é celebrada nacionalmente para refletir sobre os direitos, a cultura e a história da população negra.

O monumento que o homenageia no Rio foi idealizado pelo antropólogo Darcy Ribeiro, então vice-governador do estado, e criado pelo arquiteto João Filgueiras Lima, conhecido como Lelé. A escultura utiliza como referência uma peça em bronze de um rei africano do Benim do século XII, amplificada para representar Zumbi como símbolo maior da resistência negra no Brasil. Todo o ambiente da celebração incorporou elementos da cultura afro-brasileira, com destaque para a capoeira e instrumentos musicais ancestrais, que, junto às expressões culinárias e artísticas, reforçam o orgulho e a valorização da africanidade brasileira.

Apesar de sua importância simbólica, o monumento tem sofrido atos de vandalismo ao longo dos anos, o que gera repúdio e ações da prefeitura para preservar a memória coletiva do povo negro. No entanto, a festa que toma conta da Avenida Presidente Vargas, com a participação de adultos, jovens e crianças, demonstra o compromisso da população carioca em manter viva a lembrança de Zumbi e avançar na luta por igualdade e reconhecimento cultural, fazendo do Dia da Consciência Negra uma data de reflexão, mobilização e celebração no Rio de Janeiro.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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