O Dia de Reis, celebrado nesta terça-feira (6), marca uma tradição centenária na cultura popular brasileira, com grupos de cantadores e instrumentistas percorrendo as ruas em homenagem aos três reis magos: Baltazar, Belchior e Gaspar. Vestidos com fardas e máscaras coloridas, esses foliões visitam casas de porta em porta, performando danças animadas e cantorias ao som de instrumentos de corda, sanfonas e percussão, muitas vezes acompanhados de personagens como reis, palhaços e bastiões que encantam devotos e moradores.
A data rememora a chegada dos reis magos, convertidos em santos pela Igreja Católica, vindos do Oriente guiados por uma estrela até Belém, na atual Palestina, para presentear o recém-nascido Jesus com ouro, incenso e mirra – símbolos de realeza, imortalidade e espiritualidade. Para os devotos, o 6 de janeiro encerra os festejos natalinos, iniciados quatro domingos antes do Natal, momento em que se desmontam presépios, árvores e enfeites, sinalizando o fim do ciclo festivo.
De origem portuguesa, a Folia de Reis, também conhecida como Reisado, Terno de Reis, Tiração de Reis, Rancho de Reis ou Guerreiros, foi trazida ao Brasil no período colonial, integrada ao processo de catequese pelos jesuítas a partir do século XVI. Os grupos saem pelas ruas cantando louvores a santos de devoção, recolhendo donativos para os necessitados ou cumprindo promessas feitas em voto, misturando elementos cristãos com influências indígenas e africanas que enriqueceram a tradição ao longo dos séculos.
Hoje, a manifestação pulsa viva em diversos estados, especialmente no Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste, como no Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Goiás. No Rio de Janeiro, por exemplo, folias são registradas em municípios como Angra dos Reis, Paraty e Petrópolis; em Pernambuco e São Paulo, há pedidos de reconhecimento como patrimônio imaterial pelo Iphan. Em Caxias, no Maranhão, folguedos como Encanto da Terra e Reisado Mirim se apresentam em praças, com rituais como a “morte dos bois” nas casas de pagadores de promessas, concorrendo a prêmios.
Os grupos são compostos por embaixador ou mestre, contramestre, os três reis, palhaços que distraem os “soldados de Herodes”, alferes e foliões, todos em trajes coloridos, tocando violas, reco-recos, tambores, acordeões e pandeiros. Encenações como a “meia-lua” recriam a fuga da Sagrada Família para o Egito, com versos, orações e recitação de passagens evangélicas. Em troca das visitas, moradores oferecem comidas regionais como arroz, feijão tropeiro, macarronada, carnes de frango ou porco, verduras, pequi e guariroba em Goiás, culminando em banquetes e confraternizações que reforçam laços comunitários e a devoção popular.
