O diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos, Joseph Kent, renunciou ao cargo nesta terça-feira (17), devido à sua discordância com a guerra no Irã promovida pelo governo de Donald Trump em parceria com Israel.
Kent afirmou que não poderia, em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irã, alegando que o país não representava uma ameaça iminente aos EUA e que o conflito foi iniciado devido à pressão de Israel e seu poderoso lobby.
O ex-diretor, ligado ao Escritório Nacional de Inteligência dos EUA, destacou que inicialmente apoiou os valores e políticas que Trump defendeu em suas campanhas eleitorais, quando o então candidato criticava as guerras no Oriente Médio.
Segundo Kent, Trump teria sido influenciado por altos funcionários israelenses e membros da mídia que o empurraram para a guerra no Irã, fazendo-o acreditar que o país representava uma ameaça iminente e que haveria um caminho claro para uma vitória rápida, o que ele considera uma mentira.
Trump foi eleito criticando as guerras dos EUA no Oriente Médio, o que levou parte de sua base de apoio a condenar a agressão militar contra o Irã.
Joseph Kent serviu o Exército dos EUA por 20 anos, atuando em 11 destacamentos no Oriente Médio, e se aposentou em 2018. Ele perdeu sua esposa, Shannon Kent, em um atentado na Síria, e afirmou não poder apoiar o envio de novas gerações para uma guerra sem benefícios para o povo americano.
Kent estava sob a coordenação da diretora do Escritório Nacional de Inteligência, Tulsi Gabbard, que reúne a comunidade de inteligência dos EUA para assessorar a Casa Branca e outras instituições de segurança.
Em março de 2025, antes do primeiro ataque dos EUA e Israel contra o Irã, a chefe do DNI negou que o Irã estivesse construindo uma arma nuclear, como alegavam Trump e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
Analistas alertam que a acusação de que o Irã desenvolve armas nucleares seria um pretexto para derrubar o governo de Teerã, com o objetivo de acabar com a oposição do país à política de Washington e Tel Aviv no Oriente Médio e conter a expansão econômica da China na região.
