Documentário destaca urgência de proteção a defensoras dos direitos humanos em comunidades quilombolas

O documentário ‘Cafuné’, lançado na quinta-feira (12) pelo coletivo de mulheres da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), revela a necessidade urgente de políticas eficazes de proteção para defensoras dos direitos humanos em comunidades tradicionais no Brasil.

Dirigido por Gabriela Barreto, Maryellen Crisóstomo e Nathália Purificação, o filme faz parte de um projeto maior com o mesmo nome, que será apresentado ao governo federal. A iniciativa busca sensibilizar o poder público, incluindo o Congresso Nacional, sobre a situação de risco enfrentada por essas mulheres.

O nome ‘Cafuné’ simboliza o desejo de oferecer conforto às mulheres que vivem sob constante ameaça devido a conflitos agrários e à falta de políticas públicas adequadas. Segundo Selma Dealdina, articuladora política da Conaq, o projeto, a ser apresentado oficialmente aos três poderes em maio, visa implementar ações de proteção coletivas e comunitárias.

Uma solenidade no Congresso Nacional em 12 de maio marcará os 30 anos de luta da Conaq, coincidindo com o 3º Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas no Gama (DF). O assassinato da ativista Maria Bernadete Pacífico, em agosto de 2023, destacou a necessidade de aprimorar os mecanismos de proteção, gerando temor entre as lideranças quilombolas.

A Conaq estima que pelo menos 100 mulheres vivem sob ameaça no Brasil. O documentário é parte de uma estratégia para expor os riscos enfrentados. O projeto teve apoio do Instituto Ibirapitanga e da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (Aecid).

Durante as oficinas de elaboração do plano, foi decidido que as prioridades do ‘Cafuné’ vão além da segurança pública, incluindo a titulação de territórios, prevenção ao adoecimento e apoio à saúde mental.

Uma pesquisa da Fiocruz revelou que a população quilombola adulta tem maior mortalidade por causas evitáveis. Entre as mulheres quilombolas, a taxa de mortes por infarto é 18% maior e por derrame, 38% maior. Muitas comunidades carecem de infraestrutura básica como água potável, esgoto e coleta de lixo.

Élida Lauris dos Santos, secretária nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, afirmou que a demanda das comunidades quilombolas alinha-se com a visão do governo federal sobre proteção coletiva. O governo prioriza o combate ao feminicídio e a violência contra a mulher.

Cida Barbosa, coordenadora nacional da Conaq, destacou que as demandas das comunidades variam por região, mas a saúde mental das ativistas é uma preocupação urgente, devido à falta de acesso a apoio psicológico.

Fonte: Agência Brasil

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