Em 10 anos, 60,7% dos beneficiários conseguiram deixar o Bolsa Família

De cada dez pessoas beneficiárias do Bolsa Família em 2014, seis conseguiram deixar o programa assistencial nos dez anos seguintes, conforme revela o estudo “Filhos do Bolsa Família”, divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. A taxa média de saída foi de 60,7%, com destaque para os jovens que tinham entre 15 e 17 anos em 2014, entre os quais 71,25% deixaram o programa até 2025. Isso mostra que o auxílio não gera dependência, mas funciona como um mecanismo de mobilidade social, possibilitando que beneficiários avancem economicamente a partir de oportunidades de trabalho e educação.

O estudo evidencia que o Bolsa Família atua não só como um alívio imediato da pobreza e da fome, mas também como um investimento no capital humano. As condicionalidades do programa, que incluem a manutenção das crianças e adolescentes na escola, o acompanhamento da saúde com vacinação em dia e exames pré-natais, são fundamentais para esse processo. A educação dos pais também influencia a taxa de saída do programa, pois famílias com responsáveis que têm ensino médio completo têm maior probabilidade de progressão social e, consequentemente, de deixar o programa.

Além disso, os jovens beneficiários que deixaram o Bolsa Família geralmente não ficaram desprotegidos: 28,4% daqueles que tinham entre 15 e 17 anos em 2014 passaram a ter vínculo formal de emprego dez anos depois, e mais da metade saiu do Cadastro Único, sistema que registra famílias em situação de vulnerabilidade. A mobilidade é maior em áreas urbanas do que em zonas rurais e está relacionada ao tipo de emprego e à escolaridade dos responsáveis pela família.

A análise da nova versão do programa, relançada em 2023 como Novo Bolsa Família, aponta uma rotatividade saudável, com uma média mensal de saídas superior às entradas, indicando que o programa tem funcionado como uma rede temporária de proteção. Mecanismos como a Regra de Proteção, que mantém parte do benefício para famílias que conquistam emprego formal por um período de transição, e o Programa Acredita, que oferece microcrédito para empreendedores de baixa renda, foram implementados para garantir que essa transição seja suave.

Enquanto o programa acompanha a trajetória das famílias, o ambiente socioeconômico em que estão inseridas influencia fortemente a saída da dependência do Bolsa Família. O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, reforça que o programa serve como ponto de partida para que as famílias superem a fome, estudem e trabalhem, encerrando ciclos de pobreza intergeracional.

Em 2025, o Bolsa Família atendia cerca de 18,65 milhões de famílias, com um benefício médio de aproximadamente R$ 683,28, e teve um custo de R$ 12,69 bilhões. O critério inicial para ingresso no programa é ter renda familiar mensal de até R$ 218 por pessoa. O estudo da FGV coincide com dados recentes do IBGE que revelam a queda no número de pessoas em situação de pobreza no Brasil, reforçando o papel do mercado de trabalho aquecido e das políticas sociais na melhoria das condições socioeconômicas da população.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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