Sob uma forte chuva neste domingo, milhares de pessoas estiveram reunidas na Torre de TV, no centro de Brasília, para o ato Levante Mulheres Vivas, que denunciou a violência contra a mulher, o feminicídio e a omissão do Estado na prevenção e proteção a esse tipo de violência. O protesto ocorreu em diversas capitais do país, convocado por dezenas de organizações femininas após uma série de casos emblemáticos que chocaram a sociedade nos últimos dias.
A assistente social e rimadora Elisandra “Lis” Martins, integrante do coletivo Batalha das Gurias da Frente Nacional de Mulheres no Hip-Hop, encerrou sua participação no ato com uma forte mensagem de resistência contra a violência de gênero e racial que atravessa a vida das mulheres brasileiras, principalmente aquelas das periferias e regiões vulneráveis, denunciando a negligência do Estado frente a essa realidade.
O ato concentrou lideranças políticas e sociais de destaque, contando com a presença de seis ministras, entre elas a ministra da Mulher, Cida Gonçalves, da Igualdade Racial, Anielle Franco, das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, além da primeira-dama Janja Lula da Silva e deputadas federais. As manifestações foram marcadas por falas, performances culturais e a mobilização da sociedade contra o feminicídio e todas as formas de violência contra as mulheres.
O Brasil registra mais de mil casos de feminicídio em 2025, com aumento das tentativas de assassinato e da violência doméstica, que em muitos casos culmina na morte das vítimas. No Distrito Federal, foram contabilizadas 26 mortes violentas de mulheres até o momento, incluindo casos recentes de extrema brutalidade. Muitas dessas mortes ocorrem no ambiente doméstico e têm como autores companheiros ou ex-companheiros, numa estatística que revela o vínculo direto entre a conjugalidade e a escalada da violência letal contra a mulher.
O Levante Mulheres Vivas surgiu como resposta a esta crise, convocando a população, autoridades e instituições a enfrentarem de forma emergencial um problema que atravessa as esferas racial e social e que perpetua a violência estrutural contra as mulheres. A presença de representantes do governo no ato simboliza o reconhecimento da urgência da pauta, ao mesmo tempo em que reforça a demanda por ações efetivas de proteção, educação e justiça para as vítimas de violência de gênero no país.
