Em Davos, Esther Dweck defende integração da América Latina

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Única representante do governo brasileiro no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, participou do painel “Superando o teto de crescimento da América Latina”. O debate analisou transformações nas políticas econômicas da região e explorou caminhos para elevar o crescimento, estagnado em torno de 2%, a patamares mais robustos.

Para Dweck, a integração latino-americana é o principal vetor para dinamizar o desenvolvimento regional. Ela enfatizou que a América Latina é uma das áreas menos integradas globalmente e apontou três pilares fundamentais: investimentos em infraestrutura compartilhada, articulação de cadeias produtivas regionais com maior valor agregado e harmonização de políticas sociais, capazes de gerar economias de escala e eficiência.

A ministra destacou o desempenho recente do Brasil, com crescimento sustentado nos últimos três anos, e elogiou a diplomacia governamental que reverteu parcialmente as tarifas impostas pelos Estados Unidos. Apesar dos avanços, alguns setores ainda sentem os efeitos da sobretaxa. Dweck também celebrou o acordo Mercosul-União Europeia, concluído após 25 anos de negociações.

Ao descrever o atual governo Lula, a ministra o caracterizou como síntese dos mandatos anteriores do presidente e da ex-presidente Dilma Rousseff. Entre os feitos fiscais, citou reorganização orçamentária, retomada das transferências de renda, aprovação da reforma tributária e redução do déficit fiscal em mais de 70% em relação ao início da gestão. “A primeira frente, sem dúvida, é a distribuição de renda e a redução das desigualdades como motor do crescimento”, afirmou. Ela qualificou como histórica a reforma tributária democrática, que simplificou a tributação indireta e ajustou o imposto de renda.

Dweck apresentou o Novo Programa de Aceleração do Crescimento como instrumento chave para investimentos em infraestrutura social e econômica, mobilizando recursos públicos e concessões privadas robustas. O foco está em economia de longo prazo, com ênfase em inovação, sustentabilidade e um Estado verde, digital e inclusivo.

A agenda da ministra em Davos incluiu discussões sobre governança digital global, interoperabilidade de dados e compras sustentáveis. O Brasil aderiu ao First Movers Coalition, iniciativa do Fórum para acelerar tecnologias de baixa emissão de carbono por meio de aquisições públicas sustentáveis, ao lado de 14 países, incluindo membros do G7. Dweck co-presidiu a reunião do Global Digital Collaboration, reunindo governos, sociedade civil e empresas em prol de infraestruturas digitais confiáveis.

O Fórum Econômico Mundial, realizado há 55 anos, reúne líderes políticos, empresários e organizações das maiores economias sob o lema “Um Espírito de Diálogo”. Dweck observou que a América Latina tem potencial para saltos maiores de crescimento, especialmente com maior integração interna e parcerias bilaterais em curso com México, Argentina e Espanha.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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