Os Estados Unidos negaram estar em guerra ou ocupando a Venezuela ao justificar, em reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, a operação que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, no último sábado em Caracas.
O embaixador americano na ONU, Michael Waltz, defendeu a ação como uma operação jurídica, e não militar, descrevendo-a como “aplicação da lei, facilitada pelas Forças Armadas”. Em seu discurso, ele afirmou que não se trata de uma guerra contra a Venezuela ou seu povo, nem de uma ocupação, mas de uma medida para cumprir acusações legais acumuladas há décadas. “Os Estados Unidos prenderam um narcotraficante que agora responderá a julgamento nos Estados Unidos, de acordo com o Estado de Direito, pelos crimes que cometeu contra o nosso povo ao longo de 15 anos”, complementou Waltz.
Maduro e Cilia Flores são acusados pelos EUA de serem fugitivos da Justiça, com o líder venezuelano descrito como chefe de uma organização criminosa de tráfico internacional de drogas e armas, conhecida como Cartel de los Soles. O embaixador prometeu que “provas esmagadoras de seus crimes serão apresentadas abertamente nos processos judiciais”. Waltz comparou a operação à captura de Manuel Noriega no Panamá em 1989, que foi levado aos EUA, julgado e cumpriu pena tanto lá quanto em seu país de origem.
Durante o discurso, o representante americano questionou a legitimidade de Maduro como chefe de Estado, citando que mais de 50 países rejeitam o resultado das eleições venezuelanas de 2024, consideradas fraudulentas por um painel de especialistas da ONU. “Se as Nações Unidas conferirem legitimidade a um narcoterrorista ilegítimo e lhe derem o mesmo tratamento previsto nesta Carta que a um presidente democraticamente eleito ou chefe de Estado, que tipo de organização é essa?”, provocou. Ele ainda acusou Maduro de enriquecer às custas do povo venezuelano e de permitir que o país se tornasse base de operações para inimigos dos EUA, como Irã, Hezbollah, gangues, agentes cubanos e outros atores.
“Este é o Hemisfério Ocidental. É onde vivemos e não vamos permitir que seja usado como base de operações por adversários, concorrentes e rivais dos Estados Unidos. Não se pode transformar a Venezuela em um centro operacional do Irã, do Hezbollah, de gangues, de agentes de inteligência cubanos e de outros atores malignos que controlam aquele país”, declarou Waltz. Ele acrescentou que as maiores reservas de energia do mundo não podem ficar sob controle de líderes ilegítimos, sem beneficiar o povo e sendo roubadas por oligarcas.
A operação, confirmada pelo presidente Donald Trump em postagem na rede Truth Social, envolveu um ataque em larga escala em Caracas na madrugada de sábado, com Maduro e a esposa sendo retirados de helicóptero para um navio americano e depois levados a Nova York. Trump afirmou ter assistido à captura ao vivo, transmitida por agentes, e anunciou uma coletiva de imprensa em Mar-a-Lago. Relatos indicam que o casal foi arrastado do quarto durante a ação militar, com escolta do FBI e da DEA nos EUA.
A captura gerou reações imediatas. O Partido dos Trabalhadores do Brasil condenou a ação como uma “agressão militar” e “sequestro”, alertando para riscos à estabilidade regional e defendendo a soberania e soluções multilaterais na ONU. Em Caracas, uma vigília exige a liberação do presidente, enquanto os EUA mantêm a recompensa de US$ 50 milhões por informações sobre Maduro, designado líder do Cartel de los Soles, classificado como organização terrorista estrangeira.
