Em protesto pacífico, indígenas Munduruku cobram participação na COP30

Um protesto dos indígenas Munduruku marcou o quinto dia da Cúpula das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), que ocorre em Belém, no Pará. Pela manhã, cerca de 90 indígenas ocuparam pacificamente a entrada principal da Zona Azul, área restrita aos negociadores e credenciados, para exigir uma reunião com o presidente Lula, que estava em Brasília, e protestar contra políticas que consideram prejudiciais aos seus territórios e ao meio ambiente. A segurança foi reforçada com a presença do Exército, mas não houve conflitos durante a manifestação.

Os Munduruku reivindicam a revogação do Decreto nº 12.600/2025, que prevê a privatização de empreendimentos públicos no setor hidroviário, e criticam o avanço do agronegócio na região do Tapajós-Arco Norte, considerado um vetor de destruição da Amazônia. Também manifestam oposição às negociações internacionais de clima que tratam as florestas nativas como ativos negociáveis de créditos de carbono, conforme denunciado pelo Movimento Munduruku Ipereg Ayu.

Com cartazes dizendo “Nossa floresta não está à venda” e “Não negociamos a Mãe Natureza”, os manifestantes ressaltaram a ausência de consulta e comunicação efetiva da COP30 com os povos originários, afirmando que o evento representa mais os interesses de empresas do que dos povos indígenas. Além disso, reivindicam a retirada imediata dos invasores de suas terras e o fim do Marco Temporal, legislação que limita o direito à terra indígena apenas às áreas ocupadas em 1988.

O protesto refletiu o sentimento de frustração dos indígenas com os processos das negociações climáticas, que, segundo eles, falham em reconhecer seus direitos territoriais e não garantem ações efetivas para a proteção da biodiversidade. A manifestação ocorreu em um momento simbólico, pois a COP30 acontece pela primeira vez no coração da Amazônia, trazendo à luz as tensões entre o desenvolvimento econômico e a defesa ambiental e cultural das populações originárias da região.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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