Embaixador de Cuba critica bloqueio dos EUA como ‘política genocida’

O embaixador de Cuba no Brasil, Adolfo Curbelo Castellanos, classificou o bloqueio econômico e energético dos Estados Unidos contra a ilha como uma ‘política genocida’ que visa privar a população cubana de seus meios de subsistência. Em entrevista à Agência Brasil, Curbelo destacou o endurecimento do embargo, que já dura 66 anos, iniciado após a Revolução Cubana de 1959.

Curbelo afirmou que a falta de energia compromete o funcionamento do país, ressaltando que Cuba, que depende de petróleo para gerar eletricidade, não consegue importá-lo devido às restrições impostas pelos EUA. Em janeiro, o então presidente norte-americano Donald Trump emitiu uma nova ordem executiva classificando Cuba como uma ‘ameaça incomum e extraordinária’, citando o alinhamento de Havana com Rússia, China e Irã.

Essa decisão trouxe consigo a imposição de tarifas comerciais aos países que vendem petróleo a Cuba, agravando a crise energética na ilha. Segundo a Agência Internacional de Energia, até 2023, Cuba dependia de derivados de petróleo para 80% de sua energia. O presidente cubano Miguel Díaz-Canel denunciou a medida como uma tentativa de derrotar a Revolução Cubana.

Durante a entrevista, Curbelo destacou que Cuba enfrenta uma guerra não convencional, o que explica as dificuldades enfrentadas pela população. Ele descreveu os efeitos da nova medida como ‘devastadores’, mencionando que o país tem adotado austeridade extrema e investido em energia solar e solidariedade internacional.

Curbelo também relatou que o bloqueio afeta o turismo, uma das principais fontes de divisas para Cuba, dificultando a importação de petróleo e o abastecimento de aviões. Ele enfatizou que a política dos EUA visa privar o povo cubano de seus meios de sobrevivência, caracterizando-a como genocida.

O embaixador mencionou que a comunidade internacional tem rejeitado amplamente a política dos EUA, com países como Rússia, China e México oferecendo apoio a Cuba. Curbelo destacou a importância da solidariedade prática e da mobilização internacional para ajudar o povo cubano a resistir.

Por fim, Curbelo afirmou que Cuba está determinada a defender sua soberania e independência, mantendo uma disposição para o diálogo respeitoso com os EUA, mas sem aceitar interferências em seus assuntos internos. Ele reforçou que a independência e a soberania de Cuba são inegociáveis.

Fonte: Agência Brasil

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