Embaixador do Brasil na ONU: fins não justificam os meios na Venezuela

# Brasil condena intervenção armada dos EUA na Venezuela

Em reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU realizada nesta segunda-feira, o embaixador do Brasil, Sérgio Danese, condenou veementemente a intervenção armada dos Estados Unidos contra a Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro.[1][3] O diplomata afirmou que o Brasil rejeita categoricamente essa ação, descrita como uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas e do direito internacional.[1]

Danese argumentou que não é possível aceitar o argumento de que os fins justificam os meios nessa situação.[4] Segundo o embaixador, esse raciocínio carece de legitimidade e abre a possibilidade de conferir aos mais fortes o direito de determinar o que é justo ou injusto.[4] O representante brasileiro enfatizou que a exploração de recursos naturais ou econômicos não pode justificar o uso da força ou a mudança ilegal de um governo.[5]

Na avaliação da diplomacia brasileira, os bombardeios em território venezuelano e a captura do presidente ultrapassam uma “linha inaceitável” do ponto de vista do direito internacional, estabelecendo um precedente “extremamente perigoso” para toda a comunidade internacional.[1][3] Danese alertou que esse tipo de intervenção armada ameaça a paz na América do Sul, evocando capítulos históricos da região que envolveram regimes autoritários, violações de direitos humanos, mortes, prisões políticas, tortura e desaparecimentos forçados.[5]

O embaixador destacou que a América Latina e o Caribe constituem uma zona de paz e que cabe exclusivamente ao povo venezuelano decidir seu futuro, através do diálogo e sem interferência externa.[3][5] Danese afirmou que o Brasil não vê solução para a crise venezuelana “na criação de protetorados”, mas em caminhos que respeitem a autodeterminação do povo venezuelano dentro dos limites de sua Constituição.[3]

Danese cobrou uma reação firme do Conselho de Segurança, exigindo que o órgão assuma sua responsabilidade e reaja com determinação contra a agressão.[1] O embaixador ressaltou que as normas que regem a convivência entre os Estados são obrigatórias e universais, não admitindo ações baseadas em interesses ideológicos, políticos, geopolíticos ou econômicos.[4]

O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou profunda preocupação com a possível intensificação da instabilidade na Venezuela e com o precedente criado pela operação, reafirmando que o direito internacional proíbe o uso da força contra a integridade territorial dos Estados.[3]

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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