Embaixador do Brasil no Irã comenta desafios de possível intervenção militar

O embaixador do Brasil no Irã, André Veras, afirmou que a derrubada do regime islâmico por forças militares estrangeiras seria uma tarefa ‘hercúlea, sangrenta’ e custosa, com potenciais perdas econômicas globais. Durante entrevista ao jornalista José Luiz Datena, no programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional, Veras destacou que ataques aéreos isolados não seriam suficientes para mudar o regime iraniano.

O embaixador mencionou a complexidade de uma incursão terrestre no Irã, devido ao seu território montanhoso e à capacidade militar do país. Veras comparou a situação atual com desafios enfrentados pelos EUA em conflitos passados, afirmando que seria necessário um esforço significativo para derrubar o regime.

Após ataques aéreos dos Estados Unidos e Israel, que resultaram na morte do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, e de centenas de civis, serviços básicos no país continuam funcionando, demonstrando resiliência infraestrutural. Veras comentou que o comércio permanece aberto, as escolas operam remotamente e os mercados estão abastecidos, embora a gasolina esteja racionada devido a limitações de refino pré-existentes.

A rápida substituição de Khamenei por seu filho, Seyyed Mojtaba Khamenei, foi destacada por Veras como um indicativo da solidez institucional do Irã. A Assembleia dos Especialistas escolheu Seyyed, decisão confirmada recentemente, apesar das críticas internas ao regime, que enfrenta protestos devido ao aumento do custo de vida e repressão política.

Veras observou que a escolha de Seyyed, com fortes ligações à Guarda Revolucionária e setores conservadores, pode ser vista como uma resposta dura do Estado às insatisfações internas e externas. O embaixador também mencionou que, até o momento, não houve necessidade de discutir a retirada de brasileiros do Irã, devido às fronteiras abertas e ao número reduzido de cidadãos brasileiros no país.

Apesar da resistência iraniana aos ataques, Veras considera possível uma solução diplomática, ressaltando a necessidade do Irã de ver o fim das sanções econômicas, enquanto o mundo precisa de paz para manter a economia global. Ele alertou sobre os altos custos da guerra para todos os envolvidos, sugerindo que isso pode incentivar uma abordagem mais racional no processo.

Fonte: Agência Brasil

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