Enamed: mais de 69% dos cursos tiveram desempenho satisfatório

A primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), realizada em 2025, avaliou 351 cursos de medicina em todo o país. Desses, 243 apresentaram bom desempenho, com proficiência de pelo menos 60% entre os concluintes, enquanto 107 foram mal avaliados e um não recebeu nota por falta de inscritos suficientes.

Os resultados foram divulgados nesta segunda-feira pelo Ministério da Educação, em reunião com a imprensa que contou com a presença do ministro da Saúde. Ao todo, 89.024 estudantes e profissionais de medicina se inscreveram, sendo 39.258 concluintes de graduação. Desses, mais de 28 mil eram de instituições privadas com e sem fins lucrativos, e pouco mais de 9 mil de públicas federais, estaduais e municipais.

Os melhores desempenhos vieram das instituições públicas federais, com 6.502 estudantes alcançando média de 83,1% de proficiência, seguidas pelas estaduais, com 86,6% entre 2.402 inscritos. Em contraste, os piores resultados foram das municipais, com 944 estudantes em 49,7% – considerado insuficiente –, e das privadas com fins lucrativos, com 15.409 alunos em 57,2%.

“A ideia é que essas instituições possam fazer a avaliação e garantir qualidade na oferta dos cursos de medicina. Queremos que esses cursos continuem, ampliem suas vagas e ofertem cada vez mais qualidade na formação médica brasileira”, afirmou o ministro da Educação, Camilo Santana. Ele destacou o bom desempenho das públicas federais, estaduais e sem fins lucrativos, mas enfatizou a preocupação com as municipais e privadas com fins lucrativos, que serão o foco de melhorias.

A partir da divulgação, cursos com desempenho médio abaixo de 60% dos concluintes serão submetidos a processo administrativo de supervisão, com medidas cautelares escalonadas. Elas incluem proibição de aumento de vagas, redução de oferta, suspensão do Fies e, em casos graves, interrupção de novos ingressos. Dos 304 cursos sob regulação federal – públicas federais e privadas –, 99 ficaram nas faixas 1 e 2, insatisfatórias: 24 com conceito 1 (o pior) e 83 com conceito 2.

Após publicação no Diário Oficial da União, esses 99 cursos têm 30 dias para apresentar defesa ao MEC. As sanções entram em vigor depois e valem até a próxima edição do Enamed, em outubro de 2026. Dentre as penalidades, oito cursos terão ingresso suspenso e exclusão de programas federais; 13 enfrentarão corte de 50% nas vagas, com suspensão do Fies; 33 terão redução de 25%; e 45 não poderão expandir vagas. Cursos estaduais e municipais, embora mal avaliados em muitos casos – como 87,5% das municipais nas faixas baixas –, escapam da regulação federal.

Criado em abril de 2025 por portaria do MEC, o Enamed adapta o Enade especificamente para concluintes de medicina, com 100 questões, e é obrigatório. Seu resultado integra o acesso a residências médicas via Enare, organizado pela Ebserh.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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