# Sanções dos EUA contra Venezuela e Irã fragilizam economias dependentes de petróleo
Alvos recentes de ações militares dos Estados Unidos, o Irã e a Venezuela compartilham o peso das sanções econômicas impostas pela Casa Branca, que se tornaram uma arma recorrente na política externa americana para pressionar ou derrubar governos indesejados. Estudos e relatórios internacionais destacam como esses cercos financeiros prolongados fragilizam economias dependentes de exportações de petróleo, gerando inflação galopante, desvalorização monetária e colapso social.
## Venezuela: bloqueio que aprofundou a recessão
No caso da Venezuela, dona das maiores reservas de petróleo do mundo, as sanções começaram a se intensificar a partir de 2017, com bloqueios financeiros e comerciais que obstruíram o financiamento da indústria petroleira estatal PdVSA. Restrições ao refinanciamento da dívida externa, congelamento de ativos em bancos estrangeiros – como as 31 toneladas de ouro confiscadas pelo Banco Central da Inglaterra, avaliadas em 1,2 bilhão de dólares – e proibições a transações com empresas ligadas ao presidente Nicolás Maduro paralisaram a economia.
Sanções secundárias puniram até companhias de terceiros países que negociavam com Caracas, enquanto a justiça americana liquidou a filial Citgo para pagar credores, medida vista pelo governo venezuelano como um roubo descarado. O economista Francisco Rodríguez, da Universidade de Denver, admite falhas na gestão interna pré-2017, mas calcula que o embargo aprofundou a recessão, elevando a retração no setor petrolífero de 11,5% para 30,1% em 2018, com perda de 8,4 bilhões de dólares em divisas para importações. Isso impulsionou a hiperinflação e migração em massa, com estimativas de mais um milhão de venezuelanos fugindo em cinco anos sob pressão máxima. A recuperação parcial veio em 2022, com alívios sob Joe Biden.
## Irã: cerco antigo e abrangente
O Irã enfrenta um cerco ainda mais antigo e abrangente, iniciado em 1979 após a Revolução Islâmica que derrubou um aliado de Washington. Sanções dos Estados Unidos, reforçadas por resoluções do Conselho de Segurança da ONU desde 2006 contra o programa nuclear de Teerã, bloqueiam ativos no exterior, dificultam transações financeiras globais e proíbem investimentos acima de 20 milhões de dólares no setor energético. Documentos do Congresso americano descrevem essas restrições como o “conjunto mais extenso” já aplicado a qualquer nação.
A terceira maior reserva de petróleo do planeta encolheu em receitas, agravando a desvalorização de 50% do rial e uma inflação oficial de 42% em 2025, o que alimentou protestos recentes reprimidos com violência. A relatora da ONU Alena Douhan, em relatório de julho de 2024, correlaciona as sanções à pobreza crescente, desigualdades e falta de recursos para necessidades básicas, pedindo sua suspensão por violar direitos humanos. A economista Juliane Furno, professora adjunta da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, destaca que o bloqueio impede a entrada de dólares, detonando inflação e deteriorando a vida cotidiana, apesar da economia iraniana ser mais diversificada que a venezuelana.
## Novos apertos econômicos
Especialistas consultados, incluindo análises de centros como o Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas (Cepr) em Washington e o economista Jeffrey Sachs, concordam que esses embargos não só cortam receitas vitais de hidrocarbonetos, mas também elevam preços globais de commodities ao reduzir oferta para mercados como China e Índia. Sob o segundo mandato de Donald Trump, novas sanções contra redes de drones e mísseis entre os dois países sinalizam endurecimento, com o Departamento do Tesouro afirmando que busca “responsabilizar Irã e Venezuela pela proliferação de armas ao redor do mundo”.
