A pureza de crianças brincando livremente o carnaval ilumina os olhares e as lembranças do momento. Por outro lado, as famílias, a sociedade e o poder público devem ficar muito mais atentos com o avanço de violações contra os pequenos nesse período.
Pesquisador em políticas públicas para infância e adolescência, o presidente da organização social internacional ChildFund no Brasil, Maurício Cunha, alerta que se trata de uma época de maior vulnerabilidade dos pequenos.
Essas violações, segundo explicou em entrevista à Agência Brasil, estão no mundo virtual e também nos cenários reais. Cunha recomenda, inclusive, que as famílias evitem postar imagens de crianças em redes sociais e que a sociedade seja estimulada a denunciar ameaças e violências diversas.
Cunha vai ser um dos participantes de uma audiência pública nesta quinta-feira (12) na Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal, a partir das 10h. O encontro vai debater os riscos e violações de direitos enfrentados por crianças e adolescentes no contexto do carnaval, como adultização, erotização, desaparecimento, trabalho infantil e exploração sexual.
O especialista explicou que dados do Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, revelam que mais de 26 mil casos suspeitos de crimes contra crianças e adolescentes foram registrados durante o carnaval de 2024.
O pesquisador aponta que o quadro é agravado pelos riscos da internet por haver exposição de imagens de crianças e adolescentes em fóruns, grupos fechados e redes sociais, além de violência sexual na internet, conforme apontou o estudo do ChildFund Mapeamento dos Fatores de Vulnerabilidade de Adolescentes Brasileiros na Internet, publicado no ano passado.
A pesquisa com mais de 8 mil adolescentes de 13 a 18 anos de todas as regiões do país mostrou que 54% dos entrevistados já sofreram algum tipo de violência sexual online.
Maurício Cunha destacou que o período do carnaval é marcado por uma superexposição e aumento da circulação, o que facilita a ocorrência de violações. Ele também ressaltou a importância do Estatuto da Criança e do Adolescente na proteção dos direitos dos menores.
A criança precisa ser preservada de situações e conteúdos. Então, é um período também de mais desaparecimentos de crianças pelas grandes aglomerações, além de aumento de crianças também em atividades informais e que exploram o trabalho infantil. Há um aumento também da exploração sexual e precisamos chamar muita atenção dos riscos digitais.
Cunha orienta as famílias a utilizarem ferramentas de segurança, como controles parentais, e a evitarem a exposição de imagens de crianças nas redes sociais. Ele destaca que o diálogo e a supervisão parental são fundamentais para a proteção dos menores.
O Estatuto da Criança e do Adolescente é claro ao mostrar que o dever da família, da comunidade, da sociedade e do poder público é assegurar os direitos da criança. Recentemente, uma pesquisa mostrou que apenas cerca de 35% dos adolescentes brasileiros têm algum tipo de supervisão parental no uso da internet.
Maurício Cunha também comenta sobre a importância do Disque 100, que permite denunciar gratuitamente, 24 horas por dia, qualquer suspeita de crime contra crianças. Ele ressalta que é fundamental que a sociedade esteja vigilante e denuncie possíveis violações.
