Especialistas apontam interesses estratégicos em ataques dos EUA e Israel ao Irã

A segunda ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, em um intervalo de oito meses, é vista por especialistas como uma tentativa de promover uma mudança de regime em Teerã. O objetivo seria conter a expansão econômica da China e consolidar a hegemonia política e militar de Israel no Oriente Médio.

Essa análise foi feita por especialistas em geopolítica e relações internacionais consultados pela Agência Brasil. Os analistas questionam a justificativa oficial dos EUA e de Israel de que o ataque é preventivo, visando impedir as supostas ambições nucleares do Irã.

Rashmi Singh, professora de pós-graduação em relações internacionais da PUC Minas, destacou que os enviados de Trump ao Oriente Médio foram desmentidos pelo ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr bin Hamad Albusaidi. Enquanto os enviados alegavam que as negociações não avançavam, Albusaidi afirmou que um acordo estava próximo.

Albusaidi revelou, um dia antes dos ataques, que o Irã havia concordado em não manter estoques de urânio enriquecido, material necessário para a fabricação de armas nucleares. ‘Os EUA e Israel entraram em guerra quando um avanço diplomático estava ao alcance’, disse Singh.

Para Singh, o objetivo da guerra é instalar um governo alinhado com Washington no Irã, eliminando obstáculos à hegemonia de Israel na região. Ela também mencionou que Netanyahu enfrenta eleições e pode usar o conflito para fortalecer sua posição política.

Robson Valdez, professor do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, ponderou que os ataques dificilmente podem ser explicados pela contenção nuclear. Segundo ele, a disputa envolve o equilíbrio de poder no Oriente Médio e a tentativa de conter a influência regional do Irã.

Ali Ramos, especialista em geopolítica, afirmou que a nova investida contra Teerã se fez necessária após o fracasso de Israel em derrubar o governo iraniano na guerra de 2025. Segundo ele, a presença de mísseis iranianos impede a supremacia estratégica de Israel.

Ramos acrescenta que, caso o Irã caia, armas poderiam chegar ao Partido Islâmico do Turquestão Oriental, que luta contra a China. Ele destacou que um Irã alinhado ao Ocidente poderia sabotar projetos de infraestrutura chineses na Ásia Central.

Rodolfo Queiroz Laterza, historiador de conflitos armados, afirmou que os EUA buscam retirar o Irã da rota econômica entre China e Rússia. Segundo ele, a guerra deve ser analisada no contexto da disputa comercial entre Washington e Pequim.

Mohammed Nadir, especialista em Oriente Médio, descartou a justificativa de ameaça nuclear do Irã. Para ele, o real motivo é manter a hegemonia de Israel na região, com apoio dos EUA.

O professor Roberto Goulart Menezes, da UnB, afirmou que os EUA sempre usaram o programa nuclear iraniano como pretexto. Ele destacou que o Irã faz parte do Tratado de Não Proliferação Nuclear e pode ser inspecionado pela Agência Internacional de Energia Atômica.

As hostilidades atuais entre Israel, EUA e Irã remontam à Revolução Islâmica de 1979. Desde então, o Irã é alvo de sanções econômicas que buscam fragilizar sua economia.

Fonte: Agência Brasil

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