A confirmação da ação da Agência Central de Inteligência (CIA) na Venezuela, autorizada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abre um precedente perigoso que pode justificar novas intervenções militares diretas de Washington em toda a América Latina. Especialistas em relações internacionais avaliam que essa intervenção viola a lei internacional e pode provocar uma guerra civil no país, com consequências para toda a região.
De acordo com o professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, Roberto Goulart Menezes, o impacto dessa ação na região é “catastrófico”. Menezes destaca que a apreensão dos governos brasileiro e colombiano é total, e que os EUA buscam criar um protetorado na Venezuela, instalando um governo alinhado aos seus interesses.
A professora de relações internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina, Camila Vidal, enfatiza que a intervenção dos EUA na Venezuela é ilegal e viola a soberania do país. Ela também questiona a justificativa de combate às drogas e imigração ilegal apresentada pelos EUA, afirmando que o real interesse é remover um governo autônomo e substituí-lo por um subserviente.
A Venezuela, que possui as maiores reservas de petróleo do planeta, torna-se um ponto estratégico para os EUA, que buscam controlar essas riquezas. Segundo o especialista em segurança internacional Rodolfo Queiroz Laterza, a motivação por trás das ações de Trump é primariamente geoeconômica. Laterza também alerta que a queda de Maduro poderia desencadear uma guerra civil na Venezuela, com consequências severas para os vizinhos, incluindo o Brasil.
A relação conflituosa entre Caracas e Washington remonta à chegada dos chavistas ao poder em 1999. Desde então, os EUA impuseram sanções econômicas e apoiaram tentativas de golpe contra o governo venezuelano, intensificando a pressão após a reeleição de Trump em 2024. Agora, com a presença militar dos EUA reforçada na região, a situação se torna cada vez mais tensa, colocando toda a América Latina em alerta.
