Estudante brasileiro relata tortura durante a ditadura militar

Jean Marc Von der Weid, estudante brasileiro exilado na Suíça, descreveu em entrevista à RTS as torturas que sofreu enquanto esteve preso no Brasil entre 1969 e 1971. Ele foi um dos 70 presos políticos libertados em troca do embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher, durante o mais longo sequestro de um diplomata no país.

Von der Weid detalhou as técnicas de tortura utilizadas, como o ‘pau de arara’, choques elétricos, tortura hidráulica e queimaduras com cigarros. Após seu exílio, ele participou de eventos e entrevistas na Europa para denunciar as violações de direitos humanos no Brasil, o que incomodou o governo suíço devido às suas relações econômicas com o regime militar.

A pesquisadora Gaelle Shclier, da Universidade de Lausanne, revelou que eventos organizados por ativistas brasileiros eram monitorados pela polícia suíça. Um relatório de março de 1971 documenta a vigilância sobre conferências, incluindo discursos de Von der Weid, que relatavam torturas de crianças e adultos no Brasil.

Documentos diplomáticos, como um relatório de 1973 do cônsul suíço no Rio de Janeiro, Marcel Guelat, confirmam que o governo suíço estava ciente das práticas de tortura no Brasil. Apesar disso, a Suíça manteve relações próximas com o regime militar e perseguiu ativistas brasileiros, expulsando alguns deles sob alegação de quebra de neutralidade.

A expulsão de ativistas como Apolônio de Carvalho e Ladislau Dowbor foi comemorada pelo governo brasileiro, que atribuiu o sucesso à pressão econômica exercida sobre a Suíça. Em resposta a questionamentos sobre sua postura durante a ditadura, a embaixada suíça no Brasil destacou a importância de estudos independentes para compreender o passado.

Fonte: Agência Brasil

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