EUA firmam acordo com países latino-americanos para combate aos cartéis

Em meio a tensões com o Irã, o governo dos Estados Unidos firmou um acordo com 16 países latino-americanos para combater os cartéis na região. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, liderou a Conferência das Américas de Combate aos Cartéis, realizada em Doral, na Flórida, onde expressou a disposição dos EUA de agir sozinhos na América Latina, se necessário.

Hegseth destacou que a coalizão firmada reflete a política do Corolário Trump à Doutrina Monroe, reafirmando a proeminência de Washington sobre as Américas. Essa política está inserida na Estratégia de Segurança Nacional dos EUA e busca expurgar a presença de potências extrarregionais das Américas.

O professor de geopolítica Ronaldo Carmona classificou a declaração de Hegseth como uma ameaça à soberania das nações latino-americanas. Ele destacou que os EUA tentam ‘latino-americanizar’ a questão das drogas como pretexto para intervenções, como ocorreu na Venezuela.

Durante a conferência, Hegseth afirmou que os EUA buscam acesso irrestrito a áreas estratégicas e ao comércio para impedir que potências externas ameacem a paz e independência na região. A conferência ocorreu na sede do Comando Sul dos EUA, com a presença de representantes de diversos países latino-americanos.

O Ministério da Defesa da Argentina informou que, além de uma declaração conjunta, foram firmados acordos bilaterais com os EUA, permitindo adaptar o marco jurídico de cada nação. O professor Carmona afirmou que essa estratégia visa vincular os países aos desígnios estratégicos de Washington.

Os governos do México e do Brasil enfatizaram que o combate aos cartéis deve respeitar a soberania dos países. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, defendeu uma parceria com os EUA sem subordinação, enquanto o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, incluiu o combate ao narcotráfico na agenda com o governo Trump.

O presidente colombiano, Gustavo Petro, reagiu afirmando que os EUA não precisam agir sozinhos e que a aliança contra o tráfico de drogas deve ser um pacto pela vida e pela paz. Ele destacou o impacto devastador dos cartéis na América Latina.

Equador e Paraguai têm estreitado relações com Washington sob o argumento de combate ao narcotráfico. O Senado do Paraguai aprovou um acordo que prevê a presença de militares dos EUA no país, enquanto Equador e EUA anunciaram operações conjuntas contra cartéis de drogas. No entanto, uma tentativa de instalar bases militares estrangeiras no Equador foi rejeitada em referendo.

Fonte: Agência Brasil

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