EUA na OEA: petróleo da Venezuela não pode ficar na mão de adversários

Na reunião de emergência do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), realizada nesta terça-feira em Washington, o embaixador norte-americano Leandro Rizzuto defendeu a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, argumentando que o petróleo do país, a maior reserva mundial, não pode permanecer sob controle de adversários do Hemisfério Ocidental, como Irã, Rússia, Hezbollah, China e agências cubanas de inteligência.

Rizzuto enfatizou que a ação, ocorrida no último sábado, não configurou uma invasão, mas sim a prisão de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, com base em ordem judicial por indiciamento criminal relacionado a narcotráfico e terrorismo. “Esta é nossa vizinhança, e não vamos permitir que a Venezuela se transforme em um hub de operações para esses atores. Os lucros do petróleo não beneficiam o povo venezuelano”, declarou o diplomata, reafirmando que a operação removeu o principal obstáculo à democracia no país e pedindo a libertação imediata de cerca de mil prisioneiros políticos.

A operação, confirmada pelo presidente Donald Trump como uma “operação brilhante”, envolveu tropas de elite e forças armadas americanas que retiraram o casal à força de território venezuelano. Iniciada por volta das 3h de sábado (horário de Brasília), atingiu Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira, com explosões, bombardeios, helicópteros e mísseis que causaram colunas de fumaça, interrupções no fornecimento de energia e tremores no solo relatados por moradores. Integrantes das forças de segurança de Maduro foram mortos durante a ação, que também neutralizou sistemas de defesa aérea venezuelanos.

Maduro e Flores foram transferidos para Nova York, onde compareceram a uma audiência de custódia no Tribunal Federal na segunda-feira. O líder venezuelano se declarou “prisioneiro de guerra” e “homem decente”, negando envolvimento com narcoterrorismo, tráfico de drogas e armamento pesado. O casal permanece detido em um presídio federal no Brooklyn, enquanto os EUA negam qualquer guerra ou ocupação, classificando a ação como “aplicação da lei facilitada pelas Forças Armadas”, conforme declaração do embaixador Michael Waltz na reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU no dia anterior.

A OEA, reunida no Salão Simón Bolívar às 10h locais (12h de Brasília), analisa os eventos sem expectativa de documento conjunto, mas com fortes críticas internacionais. O Brasil, por meio do embaixador Benoni Belli, condenou os bombardeios e o sequestro como “inaceitáveis” e “afronta gravíssima à soberania”, em violação à Carta da ONU, alinhando-se à nota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Rússia e China, aliados de Maduro, repudiaram a agressão, enquanto o secretário-geral da OEA, Albert R. Ramdin, cobrou respeito ao direito internacional, solução pacífica e governança baseada na vontade popular. A Venezuela decretou estado de emergência, denunciando o ataque como tentativa de apoderamento de recursos como petróleo e minerais, e aliados como Cuba o chamaram de “criminoso”. Países vizinhos, como Colômbia e Chile, expressaram preocupação com a segurança civil e pediram diálogo.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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