O governo dos Estados Unidos anunciou uma nova Estratégia Nacional de Segurança que reafirma a Doutrina Monroe, marcada pela “proeminência” de Washington sobre o Hemisfério Ocidental, englobando as Américas do Sul, Central e do Norte. Esse posicionamento visa restaurar a influência americana na região após um período de suposta negligência e marcar uma resposta direta ao crescente avanço econômico e geopolítico da China na América Latina, com planos de impedir que potências de fora do hemisfério se posicionem militarmente ou controlem ativos estratégicos no continente.
Originalmente criada em 1823, a Doutrina Monroe tinha o propósito de evitar a influência europeia nas Américas, proclamando que “a América é para os americanos”. A nova estratégia dos EUA propõe um “Corolário Trump” à doutrina, ampliando seus objetivos para incluir a expansão do acesso a locais estratégicos e a expulsão de empresas estrangeiras que participem da construção de infraestrutura na região, especialmente aquelas ligadas a concorrentes estrangeiros como a China.
A política busca também consolidar alianças com governos, partidos e movimentos alinhados aos interesses americanos, ao mesmo tempo que reconhece a existência de governos com visões diferentes, mas com os quais ainda é possível colaboração. O documento enfatiza que as parcerias devem estar condicionadas à diminuição gradual da influência externa adversária.
No campo econômico, o governo Trump orienta funcionários das embaixadas americanas a favorecer as empresas dos EUA, buscando contratos exclusivos, tarifas e acordos comerciais recíprocos que beneficiem os interesses norte-americanos. Paralelamente, a estratégia combina diplomacia comercial com o fortalecimento das parcerias de segurança, que envolvem desde a venda de armas até a realização de exercícios militares conjuntos.
O reforço militar na região inclui o aumento da presença da Guarda Costeira e da Marinha para controlar rotas marítimas, conter a migração ilegal, combater o tráfico de pessoas e drogas, além de proteger fronteiras com o emprego de força letal quando necessário para derrubar cartéis, substituindo estratégias anteriores menos eficazes. Há ainda o objetivo de estabelecer ou ampliar o acesso em pontos de importância estratégica no hemisfério, o que reflete a intenção dos EUA de manter uma presença militar duradoura e efetiva na América Latina.
Especialistas em relações internacionais interpretam essa estratégia como um claro recado para Pequim, evidenciando a preocupação dos EUA com a influência chinesa regional, especialmente após movimentos como a tentativa de retomar, indiretamente, o controle do Canal do Panamá e a mobilização militar no Caribe contra aliados da China e Rússia, como a Venezuela.
Essa reorientação estratégica dos Estados Unidos, que inclui embasamento jurídico para ampliar ações contra organizações criminosas e a instalação de bases militares em países da região, representa uma tentativa de reafirmar a supremacia americana e restringir a autonomia dos países latino-americanos, restringindo seu poder de firmar acordos com potências externas ao hemisfério sem a anuência dos EUA.
Assim, com a retomada vigorosa da Doutrina Monroe, o governo Trump define um cenário de competitividade geopolítica intensa nas Américas, priorizando a segurança nacional americana, a proteção de sua influência econômica e estratégica e a contenção da expansão chinesa na região.
