Ex-presidentes e republicanos criticam Trump por morte em Minneapolis

A morte do enfermeiro norte-americano Alex Pretti, de 37 anos, ocorrida no sábado em Minneapolis, Minnesota, gerou protestos e críticas contra as ações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e o governo do presidente Donald Trump. Pretti, que trabalhava na unidade de terapia intensiva do hospital de veteranos da cidade, era cidadão americano com porte legal de arma. Ele foi atingido por pelo menos dez disparos de agentes da Patrulha de Fronteira enquanto filmava um protesto contra operações de imigração com o celular e tentava proteger uma mulher empurrada ao chão por um agente.

Vídeos autenticados por veículos de imprensa mostram Pretti dirigindo o tráfego na rua, com as mãos visivelmente vazias ou segurando apenas o telefone, antes de ser alvejado com spray de pimenta, imobilizado por vários agentes e morto no local, na interseção da 26ª Rua com a Avenida Nicollet. Testemunhas oculares relataram que ele não se aproximou dos agentes armado, mas sim para ajudar a mulher, e que um agente retirou uma arma de sua cintura após ele já estar no chão. Um médico presente constatou ferimentos por tiros nas costas, no peito e possivelmente no pescoço. O Departamento de Segurança Interna (DHS) alega autodefesa, afirmando que Pretti carregava carregadores de munição e sem identificação, mas o governador Tim Walz qualificou a versão de absurda após analisar as imagens, e autoridades locais foram impedidas de acessar a cena apesar de mandado judicial.

Esse é o segundo cidadão americano morto por agentes federais em Minneapolis em janeiro: Renee Good, também de 37 anos e mãe de uma criança de seis anos, foi baleada no dia 7 durante outra operação do ICE. Menos de três semanas antes, um venezuelano foi ferido na perna em incidente similar. A cidade, marcada pelo assassinato de George Floyd em 2020, vive tensão com manifestações contra a Operação Metro Surge, que intensificou prisões de imigrantes, incluindo uma criança de cinco anos, e relatos de agentes mascarados invadindo casas, locais de trabalho e ruas.

A tragédia uniu críticas de democratas e republicanos. Os ex-presidentes Barack Obama e Michelle Obama chamaram o caso de tragédia gigantesca e assalto aos valores centrais da nação, cobrando que agentes atuem com responsabilidade e em coordenação com polícia local, e pedindo fim da desinformação governamental sobre as mortes de Pretti e Good. Bill Clinton condenou as cenas horrorosas de prisões violentas de manifestantes pacíficos, incluindo crianças, e acusou o governo de mentir sobre os fatos visíveis, convocando todos a defender a democracia. A congressista Alexandria Ocasio-Cortez denunciou nas redes o assassinato de americanos comuns por direitos constitucionais, citando Pretti como enfermeiro de veteranos morto a queima-roupa sem remorso.

Do lado republicano, o senador Bill Cassidy exigiu investigação federal e estadual conjunta para restaurar a credibilidade do ICE e do DHS. A senadora Lisa Murkowski, do Alasca, chamou a morte de chocante, questionou o treinamento e ordens dos agentes, e defendeu audiências no Congresso, afirmando que portar arma não autoriza execuções, especialmente após desarmamento da vítima mostrado em vídeos. Os pais de Pretti, Michael e Susan, descreveram o filho como alma bondosa que cuidava de veteranos e morreu como herói protegendo uma mulher.

Autoridades de Minnesota, como o procurador-geral Keith Ellison e o prefeito Jacob Frey, buscam judicialmente preservar evidências e encerrar a operação federal, com audiências marcadas. O ICE investiga internamente, com agentes em licença administrativa, mas protestos continuam, com centenas nas ruas enfrentando cassetetes e granadas de efeito moral. Trump anunciou envio do czar da fronteira Tom Homan a Minnesota, enquanto figuras como o vice-presidente JD Vance acusam autoridades locais de conivência com agitadores de extrema-esquerda, e o secretário de Defesa Pete Hegseth, natural de Minneapolis, elogiou o ICE como patriotas salvando o país. A família de Renee Good reforçou: os agentes do ICE podem sair, mas os moradores de Minnesota não.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)