A Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes, localizada no bairro do Altiplano, recebe a partir deste sábado (13) a Exposição ‘Dobrar o Mundo: zines e autopublicação’, da artista nigeriana Tosin Jerugba. Este projeto visa estabelecer um diálogo entre a cultura contemporânea dos zines e a tradição gráfica da literatura de cordel.
Com curadoria de Daniel da Hora, a exposição destaca a pesquisa e a prática artística, editorial e pedagógica de Jerugba, transformando o espaço em um laboratório de experimentação visual e comunitária. A proposta do projeto trata o zine não apenas como um objeto gráfico, mas como uma ferramenta de autonomia e expressão política.
“O zine ocupa espaços porque desloca o centro da autorização. Ele possibilita que sujeitos historicamente afastados dos grandes circuitos de publicação e legitimação possam narrar suas próprias histórias”, explica o curador, ressaltando que a mostra propõe uma reflexão sobre as matrizes históricas do Nordeste, que são ricas e sofisticadas para acolher a cultura da autopublicação.
Diferencial – Um dos principais aspectos dessa exposição é a conexão histórica e conceitual entre o universo dos zines e a ancestralidade da literatura de cordel. A curadoria não busca uma equivalência simplista, mas sim evidenciar uma afinidade estrutural de independência compartilhada entre as duas formas de expressão.
Segundo Daniel da Hora, o cordel é uma das mais significativas tecnologias populares de circulação de memória no Brasil. “Antes mesmo de falarmos em publicações independentes contemporâneas, o cordel já praticava uma forma de inteligência gráfica voltada para a autonomia”, afirma. Mais do que uma simples exposição para ser observada, ‘Dobrar o Mundo’ foi projetada para ser uma experiência interativa.
Projeto – O projeto se compromete com a justiça social e a bibliodiversidade, buscando democratizar o acesso à informação e fornecer ferramentas concretas para que comunidades negras, indígenas, quilombolas, periféricas e estudantes possam editar suas próprias realidades.
O núcleo prático da mostra inclui uma oficina de zines, realizada em parceria com o Laboratório de Artes Gráficas Oswald Goeldi (LAG), vinculado ao Departamento de Artes Visuais da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Essa atividade introduzirá o público a técnicas acessíveis de dobragem, minizines, colagem e reprodução, unindo a essência da autopublicação à tradição das artes gráficas.
A artista nigeriana optou por realizar a exposição na Estação Cabo Branco, reforçando a mediação pública entre a universidade e a comunidade. “A exposição começa com o papel, mas aponta para algo maior: a possibilidade de que mais pessoas possam produzir memória, imagem e pensamento em seus próprios termos. Quando o mundo não oferece espaço suficiente, dobramos o papel e inventamos outro”, conclui o curador.
O projeto é concebido como uma exposição-semente. Os organizadores almejam, a médio e longo prazo, cultivar uma cultura contínua de zines na Paraíba, culminando na articulação de feiras, arquivos e na criação de um grande festival nordestino de publicações independentes, promovendo uma ecologia gráfica democrática, acessível e sustentável na região.
Serviço
● Exposição: Dobrar o Mundo: zines e autopublicação
● Artista: Tosin Jerugba
● Curadoria: Daniel da Hora
● Local: Estação Cabo Branco – 1° andar da Torre Mirante
● Ações integradas: Oficinas práticas em parceria com o LAG/UFPB
● Entrada: Gratuita e aberta ao público em geral
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