O Ministério da Fazenda comemorou o resultado da inflação oficial de 2025, considerado internamente uma confirmação do cenário de maior estabilidade econômica buscado pelo governo. Segundo dados divulgados pelo IBGE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou o ano com alta de 4,26%, dentro do sistema de metas e registrando a quinta menor taxa desde 1995, início do Plano Real. O desempenho também é o melhor desde 2018, quando a inflação foi de 3,75%, e ficou abaixo do teto de 4,5% fixado pelo Conselho Monetário Nacional para o período.
À frente do Ministério da Fazenda durante as férias de Fernando Haddad, o secretário-executivo Dario Durigan foi o porta-voz da avaliação positiva do governo sobre o resultado. Em mensagem publicada nas redes sociais, ele afirmou que a combinação de inflação moderada com avanço do mercado de trabalho diferencia o quadro atual de outros momentos de desaceleração de preços. Durigan lembrou que, em 2018, quando o IPCA também esteve abaixo de 5%, a taxa de desemprego superava 11%, enquanto hoje gira em torno de 5,2%. Na visão da equipe econômica, esse contraste permite ao governo sustentar o discurso de que está entregando, ao mesmo tempo, inflação e desemprego em patamares mais baixos.
O secretário-executivo também destacou que o índice oficial de preços terminou o ano abaixo das projeções feitas por analistas do mercado financeiro ao longo de boa parte de 2025. No primeiro semestre, o boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central com estimativas de instituições financeiras e consultorias, chegou a apontar expectativa de inflação próxima de 5,6%, o que colocaria o IPCA acima do teto da meta. À medida que o ano avançou e os dados mensais vieram abaixo das previsões iniciais, as estimativas foram sendo revisadas para baixo, até convergirem para algo em torno de 4,3% na reta final do ano, ainda assim levemente acima do resultado efetivo de 4,26%.
Dentro do governo, o desempenho de 2025 é apresentado como peça importante na narrativa de que a atual gestão caminha para registrar a menor inflação acumulada de um mandato presidencial desde a criação do real. A equipe econômica afirma que, após um período de choques de preços e juros elevados, o país ingressa em fase de desinflação gradual, com o IPCA se mantendo dentro da banda de tolerância das metas, mas sem comprometer a retomada do nível de emprego e da renda. A Fazenda atribui esse quadro a uma combinação entre a política monetária conduzida pelo Banco Central e as medidas fiscais e de recomposição de receitas implementadas ao longo do ano.
O resultado de 2025 também é utilizado politicamente para contestar as previsões mais pessimistas feitas no início do ano por parte do mercado financeiro e de analistas críticos à condução da política econômica. Integrantes da equipe de Haddad dizem que as estimativas de inflação acima de 5% não se confirmaram, apesar de um ambiente ainda considerado desafiador, marcado por juros elevados, incertezas fiscais e pressões setoriais de preços, como energia elétrica e serviços. Ao mesmo tempo, o governo admite que a inflação ainda está acima do centro da meta, mas sustenta que a trajetória é de convergência, o que, na avaliação da Fazenda, abre espaço para um ambiente mais favorável ao investimento e ao crescimento nos próximos anos.
Na prática, a inflação de 4,26% representa, para as famílias, um avanço de preços mais moderado do que em anos recentes, embora com diferenças importantes entre os grupos que compõem o índice. Enquanto alguns itens, como alimentação no domicílio, registraram altas mais contidas ou até quedas pontuais ao longo do ano, outros componentes, como energia elétrica, planos de saúde, aluguel e serviços, exerceram pressão relevante sobre o orçamento de parte da população. Ainda assim, o fato de o IPCA ter ficado abaixo das expectativas e dentro da meta é tratado pela Fazenda como um sinal de que a economia brasileira atravessou 2025 com maior previsibilidade, condição considerada fundamental pelo governo para sustentar a agenda de crescimento com inclusão social.
