As Forças Armadas venezuelanas reconheceram neste domingo a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina do país, em meio à crise gerada pela captura de Nicolás Maduro pelas forças dos Estados Unidos. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, divulgou um vídeo repudiando a intervenção norte-americana, classificando-a como vil, covarde e criminosa, e exigindo a libertação imediata do líder venezuelano, detido em Nova York junto à sua esposa, Cilia Flores.
A ação militar dos EUA ocorreu na madrugada de sábado, com explosões em Caracas e em estados como Miranda, Aragua e La Guaira, atingindo alvos civis e militares com mísseis e foguetes disparados de helicópteros de combate. Padrino López alertou que o ataque representa uma ameaça global, afirmando que, se pode ocorrer contra a Venezuela hoje, amanhã pode atingir qualquer nação. Ele rechaçou a pretensão colonialista sob a doutrina Monroe, convocou o povo a retomar as atividades e mobilizou as Forças Armadas para formar uma muralha de resistência, garantindo que o país não se renderá nem negociará sua soberania.
O Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela havia decidido no sábado que Delcy Rodríguez, de 55 anos, advogada e figura combativa do chavismo desde a era Hugo Chávez, assumisse a presidência interina por até 90 dias, conforme a Constituição, para assegurar a continuidade administrativa e a defesa da nação. Rodríguez, vice-presidente executiva desde 2018 e ex-ministra do Petróleo, declarou que a Venezuela nunca será colônia de nenhuma potência e que Maduro segue como o único presidente legítimo.
O governo de Donald Trump justifica a operação com acusações de que Maduro liderava o suposto cartel De Los Soles, ligado ao narcotráfico, oferecendo uma recompensa de 50 milhões de dólares por sua captura – similar ao caso de Manuel Noriega, invadido e preso pelos EUA no Panamá em 1989. Críticos veem a ação como manobra geopolítica para afastar a Venezuela de aliados como China e Rússia e controlar as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo. Especialistas questionam a existência do cartel, sem provas apresentadas.
Líderes latino-americanos e internacionais reagiram com condenações: Evo Morales, Miguel Díaz-Canel de Cuba e chanceleres de Colômbia expressaram solidariedade, enquanto Espanha, Alemanha, Itália e Rússia pediram desescalada e respeito ao direito internacional. Trump, por sua vez, ameaçou Rodríguez, afirmando que ela pagará um preço alto se não cooperar. A tensão persiste, com o governo venezuelano em estado de comoção externa e o mundo atento aos próximos passos em Caracas.
