Fórum Econômico Mundial começa nesta segunda-feira em Davos

Começa nesta segunda-feira, em Davos, na Suíça, o Fórum Econômico Mundial, encontro global que, há 55 anos, reúne líderes políticos, dirigentes de empresas e representantes de mais de 130 países para debater rumos da economia e da sociedade. O evento ocorre até 23 de janeiro, com tema central “Um Espírito de Diálogo”, e busca cooperação entre governos, empresários, sociedade civil e organizações internacionais em meio a tensões geopolíticas e econômicas.

Mais de 3 mil delegados participam da edição de 2026, incluindo cerca de 64 chefes de Estado e de governo, 400 líderes políticos e aproximadamente 850 CEOs de grandes corporações globais, além de executivos de startups e pioneiros em tecnologia. Entre os confirmados estão o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o presidente da Argentina, Javier Milei, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, além de líderes do G7 e de economias emergentes. Líderes de organismos multilaterais, como Kristalina Georgieva, do FMI, e Ajay Banga, do Banco Mundial, também participam.

Pelo Brasil, a representante do governo é a ministra da Gestão e da Inovação dos Serviços Públicos, Esther Dweck, que participa de debates como a reunião do Global Digital Collaboration, grupo que reúne governos, sociedade civil, organismos internacionais e empresas para discutir soluções digitais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, presente em edições anteriores, não comparece desta vez.

A programação aborda riscos geoeconômicos, identificados pelos organizadores como a maior ameaça global de curto prazo, à frente de conflitos armados e desastres naturais. As discussões tratam de geopolítica, crescimento econômico, comércio internacional, segurança energética, transição climática e inteligência artificial. Outros eixos incluem o impacto da inteligência artificial na força de trabalho, com necessidade de requalificação profissional para uma população ativa em transformação; investimentos em saúde e bem-estar; e criação de prosperidade sustentável sem ultrapassar limites planetários, como mudanças climáticas e perda de biodiversidade.

Davos adota forte esquema de segurança para o evento, com quase dois soldados para cada participante, e protestos ocorrem do lado de fora. A participação do chanceler iraniano foi cancelada pelos organizadores após repressões recentes em Teerã. O discurso de Trump sinaliza a postura americana em relação a tarifas comerciais e relações com a Europa, com líderes europeus preparando contramedidas, como tarifas retaliatórias.

Relatório da Oxfam Brasil, divulgado na abertura do fórum, aponta que a fortuna dos bilionários cresceu mais de 16% em 2025, três vezes a média dos últimos cinco anos, atingindo US$ 18,3 trilhões, o maior nível histórico. Desde 2020, esse aumento foi de 81%, enquanto uma em cada quatro pessoas enfrenta insegurança alimentar regular e quase metade da população mundial vive na pobreza. O ganho coletivo de US$ 2,5 trilhões só em 2025 poderia erradicar a pobreza extrema 26 vezes, segundo o estudo.

O encontro ocorre em meio a fragmentação econômica, endividamento global, ceticismo com bolhas em inteligência artificial e criptomoedas, nacionalismo econômico e desregulamentação.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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