O governo de Roraima divulgou nota neste sábado afirmando que acompanha com atenção os acontecimentos recentes na Venezuela e eventuais repercussões na estabilidade regional, reafirmando o compromisso com a paz, a ordem pública e a segurança da população roraimense. Devido à localização geográfica, o estado mantém historicamente relações de cooperação com países vizinhos, como Venezuela e Guiana, e as autoridades estaduais estão em permanente contato com órgãos federais para monitorar possíveis desdobramentos que impactem a rotina da população.
As forças armadas dos Estados Unidos realizaram bombardeios na capital Caracas e em outras regiões da Venezuela durante a madrugada, seguidos pelo anúncio do presidente norte-americano Donald Trump sobre a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. A fronteira entre Brasil e Venezuela, que se estende por mais de dois mil quilômetros, foi descrita pelo ministro da Defesa, José Múcio, como tranquila, monitorada e aberta. Órgãos de segurança pública de Roraima seguem articulados e atuando em rotinas normais.
Em Pacaraima, município brasileiro na fronteira com a Venezuela, o prefeito Waldery D’Avila manifestou profunda preocupação com os ataques em Caracas e informou que monitora a situação em conjunto com as forças de segurança para garantir estabilidade e paz na região fronteiriça. Um servidor público federal de 54 anos, Jean Oliveira, que estava em Santa Elena de Uairén, do lado venezuelano, relatou ter saído por uma rota clandestina porque a fronteira estava fechada no início da manhã. Após chegar ao Brasil, autoridades venezuelanas passaram a permitir apenas a saída de brasileiros, mantendo a entrada do Brasil para a Venezuela bloqueada. Apesar da apreensão de alguns brasileiros em um hotel local, Oliveira descreveu a situação na região como aparentemente normal, sem alterações perceptíveis na população em geral.
A ação dos EUA marca uma nova intervenção direta de Washington na América Latina, semelhante à invasão do Panamá em 1989, quando militares norte-americanos capturaram o presidente Manuel Noriega sob acusação de narcotráfico. Assim como no caso anterior, os EUA acusam Maduro, sem apresentar provas, de liderar um suposto cartel venezuelano chamado Cartel dos Sóis, cuja existência é questionada por especialistas em tráfico internacional de drogas. O governo norte-americano oferecia uma recompensa de 50 milhões de dólares por informações que levassem à prisão de Maduro. Críticos veem a operação como uma jogada geopolítica para afastar a Venezuela de aliados como China e Rússia, além de ampliar o controle sobre as maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta.
