O ministro da Defesa do Brasil, José Múcio, afirmou neste sábado que a fronteira com a Venezuela, no estado de Roraima, permanece tranquila, monitorada e aberta, sem registros de brasileiros feridos pelos bombardeios realizados pelos Estados Unidos contra o país vizinho. Em declaração após reunião de emergência no Itamaraty, em Brasília, da qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou por videoconferência, Múcio destacou que o Brasil mantém um contingente de 10 mil militares na região amazônica, sendo 2,3 mil deles em Roraima, com homens e equipamentos posicionados para acompanhar os desdobramentos.
“A fronteira está absolutamente tranquila. Nós temos um contingente já há algum tempo lá de homens e equipamentos. Estamos aguardando que as coisas aconteçam. Vamos aguardar a entrevista do presidente da República dos Estados Unidos, algumas coisas que vão acontecer durante o dia”, disse o ministro, enfatizando a presença de informações desencontradas e o monitoramento constante pelo governo brasileiro.
A reunião inicial contou com a participação das ministras interinas das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, e da Casa Civil, Miriam Belchior, além do ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, e representantes da Secretaria de Relações Institucionais e do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Uma segunda reunião de emergência foi agendada para as 17h, também no Itamaraty, para avaliar a situação em curso.
Os bombardeios americanos atingiram alvos em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, provocando explosões, voos rasantes de aeronaves militares, tremores e quedas de energia em áreas estratégicas, como a base aérea de La Carlota. O governo venezuelano declarou estado de emergência, acusou os Estados Unidos de agressão militar com o objetivo de controlar reservas de petróleo e minerais, e relatou um apagão generalizado na capital. Autoridades de Caracas afirmam que houve mortes, sem números consolidados até o momento, enquanto um oficial americano informou que não houve baixas do lado dos Estados Unidos. A ofensiva, que durou menos de 30 minutos, resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, pela unidade de elite Força Delta, que os retirou do país por via aérea para custódia em Nova York, conforme anúncio do presidente Donald Trump. O governo Maduro cobrou prova de vida do casal e repudiou o ataque, que não é o primeiro: os EUA já haviam realizado operações anteriores com drones e contra navios petroleiros venezuelanos.
