Um grupo internacional de pesquisadores das universidades dos Estados Unidos e Canadá realizou um mapeamento inédito da área de encontro entre três placas tectônicas ao longo da costa oeste da América do Norte, nas proximidades da ilha de Vancouver. O estudo, que envolveu cerca de 20 cientistas, utilizou um sonar especializado para escanear uma faixa de 75 quilômetros do solo oceânico, revelando detalhes nunca antes observados sobre a dinâmica geológica dessa região. A falha analisada se estende por todo o litoral do Pacífico na América do Norte, abrangendo desde o Canadá até a Califórnia, no sul dos Estados Unidos.
Entre as principais descobertas está o processo de fragmentação de uma das placas tectônicas envolvidas, a placa Juan de Fuca. Esse fenômeno, que está criando “pedaços” no leito oceânico, diminui a atividade da placa, mas não elimina os riscos geológicos da região. Os cientistas classificaram o local como um “megasistema” ou zona de subducção, onde uma placa se sobrepõe às outras, gerando grandes fissuras e liberando uma quantidade colossal de energia. Esse tipo de interação é extremamente difícil de ser interrompida e está diretamente relacionado à ocorrência de vulcões e terremotos de grande intensidade.
O sistema estudado é composto pelas placas Juan de Fuca e Explorer, que deslizam lentamente por baixo da placa norte-americana. O avanço desse processo está sendo monitorado por meio de imagens sísmicas de reflexão, que funcionam como um ultrassom do interior da Terra. Os dados foram coletados durante o experimento Cascadia Seismic Imaging Experiment (CASIE21), realizado em 2021 com financiamento da National Science Foundation dos Estados Unidos. A pesquisa representa um avanço significativo para a compreensão dos fenômenos geológicos e pode servir de base para futuros estudos sobre terremotos e a dinâmica do planeta.
