O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, anunciou que R$ 53 milhões já estão disponíveis para a construção de um sistema de abastecimento de água na maior reserva indígena urbana do Brasil, localizada em Dourados, Mato Grosso do Sul.
A reserva, composta pelas aldeias Bororó e Jaguapiru, abriga cerca de 20 mil indígenas dos povos Guarani Nhandeva, Guarani Kaiowá e Terena, que enfrentam escassez de água há mais de cinco anos. A situação se agravou com um recente surto de chikungunya no município, afetando principalmente as comunidades indígenas.
Dados do Ministério da Saúde indicam que, até sábado (4), o município registrou 3.596 notificações de chikungunya, com 1.314 casos confirmados, dos quais 914 entre os indígenas. ‘Nós já acompanhávamos essa situação crítica e, como primeiro ato no ministério, assinamos a ordem de serviço para que as obras comecem’, afirmou o ministro.
Eloy Terena destacou que as lideranças indígenas solicitaram a criação de uma instância de governança para acompanhar semanalmente os recursos destinados às obras e ações na reserva. ‘Esse é um compromisso que assumi com as lideranças, não só em relação aos poços, mas também aos recursos para enfrentar a epidemia de chikungunya’, acrescentou.
O último documento necessário para o início das obras, que incluem dois super poços com sistema de distribuição para as aldeias, foi assinado na sexta-feira (3). O estado do Mato Grosso do Sul, por meio da Sanesul, executará a obra. O projeto está em fase de aprovação pela Caixa Econômica Federal, responsável pelo repasse dos recursos.
A Sanesul informou que o cadastramento para a perfuração dos poços já foi realizado junto à Agesul, com previsão de início das atividades ainda neste semestre. Os editais para as próximas etapas serão publicados após a liberação dos recursos pela Caixa, com conclusão prevista em dois anos.
Atualmente, as comunidades são abastecidas por pequenos poços emergenciais, instalados em parceria com a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). ‘Agora vem o que chamamos de super poços, que resolverão o problema estrutural. Alocamos R$ 53 milhões para construir esses poços e a rede de distribuição’, explicou o ministro.
