Milhares de indígenas de todo o Brasil marcharam nesta terça-feira (7) pela Esplanada dos Ministérios, em Brasília, como parte da 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL 2026). O evento, iniciado no domingo (5), é a maior mobilização do movimento indígena no país.
Representantes de diversos povos, como os tikuna, kokama, makuxí, tupinambá e pataxó, deixaram o palco principal do ATL por volta das 9h30. Sob sol forte, eles percorreram 6 quilômetros até o Congresso Nacional, criticando parlamentares por leis que consideram contrárias aos direitos constitucionais indígenas.
Os manifestantes também acusam o governo federal e estaduais de cederem à pressão do agronegócio e mineração, permitindo a exploração de territórios tradicionais. Pintados e usando adereços tradicionais, carregavam faixas com mensagens como ‘Congresso Inimigo Dos Povos’ e ‘Marco Temporal Não’.
Para cumprir um acordo com órgãos de segurança, os indígenas deixaram armas tradicionais no acampamento e ocuparam parte do Eixo Monumental. “Nossa marcha é pacífica, rumo a um Congresso que não é pacífico”, criticou um membro da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).
Outro foco das críticas é o Marco Temporal, que limita o direito aos territórios ocupados em 1988. Embora o STF tenha julgado a tese inconstitucional em 2023, o Senado aprovou em 2025 uma PEC que impõe esse limite, ainda em análise pela Câmara.
Os manifestantes também pedem que o governo reconheça mais terras indígenas. Entre 2023 e 2025, foram homologados 20 novos territórios, totalizando cerca de 2,5 milhões de hectares em 11 estados, segundo a Funai.
Dinamam Tuxá, coordenador da Apib, destacou a luta contínua pela demarcação de terras e mencionou a análise de cerca de 110 novas áreas reivindicadas. Joenia Wapichana, ex-presidente da Funai, ressaltou a importância de os indígenas participarem ativamente da política e reivindicarem seus direitos.
