O faturamento real da indústria de transformação cresceu 4,9% em fevereiro, conforme os Indicadores Industriais divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quarta-feira (8). Em janeiro, o aumento havia sido de 1,3%, resultando em um crescimento acumulado de 6,2% em relação a dezembro de 2025.
Apesar do início de ano positivo, o setor ainda enfrenta desafios significativos, pressionado por juros altos e pela desaceleração econômica. Na comparação com o mesmo período de 2025, o cenário é negativo, com o faturamento da indústria recuando 8,5% no primeiro bimestre de 2026.
Segundo a CNI, esse resultado reflete mais uma base de comparação enfraquecida do que uma melhora estrutural na atividade industrial. Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da entidade, afirma que ainda é cedo para indicar uma reversão do quadro negativo observado desde o segundo semestre do ano passado.
As horas trabalhadas na produção aumentaram 0,7% em fevereiro, marcando o segundo avanço consecutivo, embora o indicador acumule uma queda de 2,7% em comparação com o primeiro bimestre de 2025. A CNI destaca que esse aumento recente compensa apenas parte das perdas registradas ao longo da segunda metade do ano passado.
A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) apresentou um leve recuo, passando de 77,5% em janeiro para 77,3% em fevereiro. No acumulado do bimestre, o nível está 1,6 ponto percentual abaixo do registrado no mesmo período de 2025.
Os indicadores do mercado de trabalho industrial permaneceram praticamente estáveis. O emprego caiu 0,1% em fevereiro em comparação com janeiro, acumulando uma retração de 0,4% no primeiro bimestre em relação ao ano anterior. A massa salarial e o rendimento médio não apresentaram variações significativas no mês. No acumulado do ano, a massa salarial registra alta de 0,9%, enquanto o rendimento médio cresceu 1,4% em comparação com o mesmo período de 2025.
