# Brasil sob alerta máximo: Zona de Convergência do Atlântico Sul provoca chuvas extremas
A maior parte do Brasil enfrenta uma situação meteorológica crítica nesta semana, com a reorganização da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), um fenômeno que traz consigo o risco de chuvas volumosas e potencialmente catastróficas. Apenas a região Sul escapa dos alertas do Instituto Nacional de Meteorologia, enquanto praticamente todo o restante do país se prepara para precipitações intensas que podem alcançar acumulados extremos.
A ZCAS é uma faixa extensa de nuvens que se estende do Norte ao Sudeste, caracterizando-se como um corredor de umidade de orientação noroeste/sudeste que parte da Amazônia até regiões do litoral do Sudeste. Trata-se de um fenômeno típico do verão brasileiro e um dos sistemas mais importantes para a ocorrência de chuvas no país durante este período. Este é o segundo episódio de ZCAS de 2026, e especialistas alertam que pode ser especialmente perigoso.
Conforme o Instituto Nacional de Meteorologia, os avisos de grande perigo abrangem duas áreas principais. A primeira compreende o Sul, Centro e Noroeste goiano. A segunda área crítica inclui a Zona da Mata, Vale do Rio Doce, região Metropolitana de Belo Horizonte, além de grande parte do Espírito Santo e o Norte e Noroeste Fluminense. Nestes locais, a autoridade brasileira recomenda que moradores desliguem aparelhos elétricos e o quadro geral de energia, além de observarem alterações em encostas e permanecerem em locais abrigados.
Os volumes de chuva esperados são extraordinários. Para a quarta-feira (21), o norte do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e a região de Rio Verde em Goiás podem registrar até 100 milímetros de precipitação em um único dia. No entanto, as previsões indicam que acumulados podem superar 250 milímetros, com possibilidade de atingir até 300 a 500 milímetros em alguns pontos, particularmente em áreas do território mineiro e capixaba. Esses volumes extremos elevam significativamente o risco de grandes alagamentos, transbordamentos de rios e deslizamentos de encostas.
Para além das precipitações, fenômenos meteorológicos secundários também representam perigo. Há alertas de chuvas intensas associadas a rajadas de vento que podem variar entre 60 e 100 quilômetros por hora, com possibilidade de corte de energia elétrica e queda de árvores. Uma faixa central do país, incluindo o Distrito Federal, Mato Grosso, Tocantins e partes do Maranhão, Piauí e Bahia, encontra-se sob alerta para essas condições. Além disso, também são esperados índices elevados de umidade relativa do ar.
O fenômeno se deve a uma frente fria que avança pelo Sul do Brasil pelo oceano, associada a uma massa de ar frio, que ao chegarem na Região Sudeste geram convergência de umidade da região amazônica até o Oceano Atlântico. Uma baixa pressão que posteriormente dará origem a um ciclone no Atlântico contribuirá para canalizar ainda mais umidade para o Sudeste do território brasileiro, favorecendo múltiplos dias de chuva intensa.
Entre as capitais, os maiores riscos concentram-se em Goiânia, Belo Horizonte e Vitória, embora precipitações intensas também sejam esperadas em Brasília e na cidade do Rio de Janeiro. A capital fluminense, aliás, já enfrenta chuvas intensas desde terça-feira, com o impacto das condições climáticas adversas já sentido com 40 bolsões d’água registrados recentemente. Duque de Caxias foi uma das cidades mais afetadas na Baixada Fluminense, com ruas submersas e veículos arrastados pelas águas.
São Paulo, apesar de localizada no Sudeste, deve escapar da atuação do eixo principal da zona de convergência, cujo deslocamento estará mais ao Norte. Consequentemente, a capital paulista não terá perspectiva de altos volumes que pudessem contribuir para amenizar a crise hídrica que a afeta. A região Sul, por sua vez, registrará tempo mais seco e firme, com um anticiclone pós-frontal atuando sobre os estados, apresentando possibilidade de chuva apenas fraca e isolada no litoral e interior, especialmente a partir de quinta-feira.
Os eventos de ZCAS são sazonais, ocorrendo frequentemente entre novembro e março, e podem durar até dez dias consecutivos, causando grandes volumes de precipitação nas áreas de atuação. As autoridades orientam que moradores das regiões afetadas permaneçam em alerta e tomem precauções quanto aos riscos potenciais de alagamentos severos, enxurradas rápidas e deslizamentos perigosos nos próximos dias.
