Jornalistas fazem ato contra censura e agressões na Câmara

Na última terça-feira (9), a Câmara dos Deputados foi palco de um episódio marcado por censura e violência contra jornalistas e parlamentares. O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), em protesto contra seu processo de cassação e a votação de um projeto que visa reduzir penas relacionadas aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, ocupou a cadeira da presidência da Casa. Em resposta, policiais legislativos foram acionados para retirá-lo à força, gerando um tumulto que resultou na expulsão e agressão de diversos profissionais de imprensa que tentavam cobrir o evento. A transmissão ao vivo da TV Câmara foi interrompida no momento da confusão, o que configurou uma grave violação da liberdade de imprensa.

Imagens e relatos detalham a truculência da ação, com repórteres, fotógrafos e cinegrafistas sofrendo puxões, cotoveladas e empurrões severos enquanto tentavam trabalhar no plenário. Alguns profissionais necessitaram de atendimento médico em decorrência das agressões físicas recebidas. Deputados como Sâmia Bomfim e Célia Xakriabá também foram agredidas ao tentar impedir os abusos durante o episódio. A Polícia Legislativa esvaziou o plenário sob a orientação direta do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que não compareceu ao encontro com a comissão de imprensa para tratar do assunto, delegando a representatividade a uma assessora.

A reação das entidades jornalísticas foi contundente. A Associação Brasileira de Imprensa anunciou que entrará com ações judiciais contra o presidente da Câmara, acusando-o de crime de responsabilidade por violação ao direito à liberdade de imprensa e expressão. Serão apresentadas representações na Procuradoria-Geral da República, na Relatoria Especial de Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), e denúncias na Comissão de Ética da Câmara por quebra de decoro parlamentar e infração disciplinar. Sindicatos e federações de jornalistas classificaram a ação como grave cerceamento do trabalho da imprensa e um ataque direto ao direito da população de ser informada.

Este episódio ocorre em um contexto político tenso, com o deputado Glauber Braga enfrentando um processo de cassação aprovado pela Comissão de Ética, devido a uma agressão física contra um militante do movimento de extrema direita MBL, ocorrida dentro da Câmara em abril de 2024. O protesto de Braga na cadeira da presidência visava barrar a votação do seu mandato, que ele considera uma retaliação política. A violência e a censura vivenciadas dentro da Câmara revelam um ambiente de crescente intolerância e autoritarismo dentro do Legislativo, envolvendo não apenas parlamentares, mas também profissionais da imprensa que exercem sua função de fiscalizar o poder público.

O presidente da Câmara anunciou a abertura de uma apuração para investigar possíveis excessos cometidos contra a imprensa durante o incidente, mas até o momento, não houve esclarecimentos públicos consistentes, nem a responsabilização dos agentes envolvidos nas agressões. A situação gerou ampla repercussão negativa e levantou alarmes sobre o respeito à democracia, à liberdade de expressão e à segurança dos profissionais que cobrem os trabalhos do Parlamento brasileiro.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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