Nesta quarta-feira (18), foi realizado o primeiro leilão de contratação de reserva de capacidade na forma de potência para 2026. O evento foi promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), pelo Ministério de Minas e Energia e pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). O leilão contou com 100 vencedores, resultando em uma potência instalada de 29,7 mil megawatts e contratada de 18,9 mil megawatts, gerando uma receita total de R$ 515,7 bilhões, investimentos de R$ 64 bilhões e uma economia de R$ 33,6 bilhões.
A primeira etapa do certame, considerada a mais importante do ano para o país, ocorreu online na sede da CCEE, em São Paulo. O leilão acontece em um momento de alta dos preços dos combustíveis, devido ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, que resultou no fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de exportação de petróleo do mundo. O objetivo do leilão é garantir a potência firme e a segurança do Sistema Interligado Nacional, assegurando que o sistema elétrico tenha usinas disponíveis para operar em momentos críticos.
O primeiro leilão LRCAP foi realizado em 2021, com 4,6 gigawatts de potência negociados, equivalente a um terço da geração da usina de Itaipu Binacional. No evento atual, foram contratadas potências de usinas hidrelétricas e termelétricas a carvão e gás natural. As termelétricas são ativadas quando as hidrelétricas não conseguem suprir a demanda de energia, e, por serem movidas a carvão, têm um custo maior e são mais poluentes.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, presente no leilão, destacou a importância do evento para a segurança energética do Brasil nos próximos 10 anos, afirmando que foi o maior leilão de térmicas da história do país. O ministro também mencionou que este pode ser um dos últimos leilões de energia não-renovável contratados pelo governo.
O certame do LRCAP nº 03 está previsto para a próxima sexta-feira (20) e será voltado para termelétricas movidas a óleo diesel, óleo combustível e biodiesel. O fornecimento das térmicas será de dez anos, enquanto o das hidrelétricas será de 15 anos. A negociação é baseada no valor a ser pago aos geradores por MW disponível durante um ano.
A Aneel informou que 330 projetos se inscreveram para participar do certame, totalizando 120.386 megawatts (MW). Entre os inscritos, 311 são térmicas a gás natural, três a carvão e 16 ampliações de hidrelétricas. Para o leilão de sexta-feira, foram inscritos 38 projetos, somando 5.890 MW. A Abrace Energia, que representa grandes consumidores de energia, defendeu o leilão para reforçar a segurança do sistema elétrico, mas destacou a necessidade de limitar a contratação para evitar aumento de custos para os consumidores.
O leilão, que deveria ter ocorrido em 2024, enfrentou diversos debates, adiamentos e judicializações. Nesta quarta-feira, foram realizadas rodadas para ofertar seis produtos de térmicas e dois de hidrelétricas no LRCAP nº 02. Cada rodada corresponde ao ano de entrada de suprimento dos empreendimentos a serem contratados, agrupando os produtos conforme o ano de início do fornecimento.
