Líderes do Mercosul e da UE assinam acordo e defendem multilateralismo

Autoridades sul-americanas e europeias aproveitaram a cerimônia de assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, neste sábado em Assunção, no Paraguai, para defender o multilateralismo e o livre comércio como motores de desenvolvimento econômico.

O evento, realizado no Grande Teatro José Asunción Flores do Banco Central paraguaio – o mesmo local onde foi assinado o Tratado de Assunção em 1991, fundador do Mercosul –, reuniu líderes como os presidentes Javier Milei, da Argentina; Santiago Peña, do Paraguai; Yamandú Orsi, do Uruguai; além da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do presidente do Conselho Europeu, António Costa. Fruto de 26 anos de negociações iniciadas em 1999, o tratado cria a maior área de livre comércio do mundo, integrando um mercado de cerca de 720 milhões de pessoas e um PIB superior a 22 trilhões de dólares, com eliminação gradual de tarifas sobre mais de 90% do comércio bilateral, abrangendo bens industriais, agrícolas, serviços e investimentos.

Em seu discurso, António Costa afirmou que o acordo reafirma a crença no comércio justo e no multilateralismo, enviando uma mensagem clara ao mundo em defesa do comércio livre baseado em regras e do direito internacional. Ele ponderou que o tratado chega em momento oportuno, apostando na abertura e na cooperação frente a ameaças de isolamento e ao uso do comércio como arma geopolítica, promovendo prosperidade compartilhada, proteção ambiental e respeito à soberania das democracias.

Ursula von der Leyen reforçou que o ato conecta continentes e escolhe o comércio justo em vez de tarifas, priorizando parcerias de longo prazo sobre o isolamento. O anfitrião Santiago Peña destacou o pragmatismo diplomático para superar impasses, chamando o dia de histórico e unindo dois dos maiores mercados globais pelo diálogo e pela fraternidade. Ele elogiou o empenho do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, ausente por agenda, e de von der Leyen, afirmando que sem Lula o acordo talvez não tivesse sido alcançado.

Javier Milei, da Argentina, viu o pacto como ponto de partida para novas oportunidades e integração regional baseada no livre comércio, enfatizando estabilidade macroeconômica e previsibilidade jurídica para prosperidade e justiça social. Ele alertou para preservar o espírito do acordo na implementação, evitando mecanismos restritivos como cotas ou salvaguardas que reduziriam seu impacto econômico, e incentivou avanços em abertura comercial.

Yamandú Orsi, do Uruguai, classificou o tratado como uma associação estratégica que melhora a vida da população, relevante em um mundo de tensões e volatilidade, apostando em regras para o desenvolvimento e combatendo ameaças transnacionais como o narcotráfico. Representando o Brasil, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, ecoou Lula ao chamar o acordo de prova da força do mundo democrático e do multilateralismo, gerando empregos, investimentos, integração produtiva e crescimento inclusivo frente a protecionismo e coerção.

Após a assinatura por volta das 13h50 (horário de Brasília), o texto segue para ratificação no Parlamento Europeu e nos congressos nacionais do Mercosul – Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A entrada em vigor da parte comercial depende dessas aprovações, com implementação gradual ao longo dos próximos anos, podendo haver aplicação provisória de reduções tarifárias para antecipar benefícios. O acordo inclui cotas para produtos agrícolas sensíveis, salvaguardas, compromissos ambientais vinculantes contra desmatamento ilegal e regras rigorosas sanitárias, além de facilidades para pequenas empresas e proteção à propriedade intelectual.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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